ligação extrema

Julia Pombo

Bolsa parcial

série introspectiva. fotografias. 2009

Datos del proyecto / dados do projeto

“(...) não, eu não quero ser somente eu, por ter um eu próprio, quero é a ligação extrema entre mim e a terra friável e perfumada.” Clarisse Lispector

“É necessário, assim, [...] procurar ler na criação, que não tem nada em comum com as cidades e as obras dos homens!” Eugène Delacroix

Em meu processo de trabalho, usando o corpo como ferramenta para produzir imagens de fotografia e vídeo, criei uma relação forte com espaços fechados, reservados, talvez até protegidos. Viver em um ambiente urbano pode gerar uma espécie de solidão, numa busca por se proteger de um contexto opressor – paisagens construídas. O corpo não pertence a essas paisagens, não fica a vontade.

Já o contexto rural, próximo da natureza, gera um acolhimento do corpo, ele é recebido por esse espaço como algo ao qual pertence. Esse acolhimento estimula uma expansão do corpo e sua integração com a paisagem, não é mais preciso se proteger, se reservar em lugares fechados, mas é possível se sentir livre em uma paisagem aberta, em contato com a terra.

O projeto propõe um movimento dos processos de criação, do recolhimento protetor da casa, no contexto urbano, para a expansão na integração com a natureza, do contexto rural. Serão criados trabalhos com fotografia a partir dessa vivencia do corpo com a natureza. Ações simples, dando continuidade às pesquisas de ressignificações do corpo (visíveis nas imagens anexadas), serão praticadas em meio a paisagem do local da residência e registradas com a câmera.

Propuesta de taller o actividad con la comunidad / Proposta de oficina ou atividade para a comunidade

Proponho uma oficina de troca de experiências, usando a fotografia. Uma oficina-vivência: ao longo do período de residência os participantes devem escolher alguém da comunidade e/ou do próprio local de residência para tirar uma foto sua. Pretendo estimular a construção de parcerias criativas, que, mesmo sendo por um curto tempo, são baseadas em conexões que podem acontecer ao conhecermos e convivermos com pessoas novas.
A proposta é livre, para que a dupla formada escolha a maneira de produzir a foto, mas pretendo disponibilizar equipamento e auxilio técnico.
O mais importante da oficina é a troca entre as pessoas, penso no processo de artistas como Diane Arbus e Nan Goldin – cada uma com sua especificidade, fotografou(a) pessoas a partir de suas relações. Porém, aqui, busco uma inversão desse processo, aonde através das relações que estabelecerem, os artistas irão se expor para o registro da câmera, estarão abertos para serem registrados pela pessoa com quem estabelecerem aproximação.

pense em si mesma, mas não se enterre antes do tempo. fotografia. 2012
ponte/continuidade. fotografia. 2011/12
frontal. fotografia. 2009

Sobre o artista

Produz trabalhos com a criação de imagens em uma relação intrínseca com o corpo, sendo este uma ferramenta essencial de trabalho. Estuda as possibilidades nos embates travados pelo corpo, explorando a força, o gesto, a fragmentação, o movimento e os limites.
Atualmente é mestranda do PPGAV da EBA/UFRJ, e desenvolve a pesquisa “discórdias concordantes” – sobre o corpo, a sexualidade e um existir melancólico proveniente de um constante questionamento das condições binárias as quais estamos submetidas quando pensamos em sexualidade. Buscando meios de resistir e sobreviver numa era de ontologia declinante, buscando novos paradigmas, para essas questões, admitindo suas limitações, com a motivação para criticar e interagir com a realidade social.
Participou de exposições como ArteForum, no campus da Praia Vermelha – UFRJ; FotoMatriz: síntese #1, no Parque Lage; Abre Alas 7, na Galeria A Gentil Carioca. E foi residente no Encontro V::E::R em Terra Una.