Khalil Charif

 
 

A experiência de troca e envolvimento, que havia começado no site do Interações Florestais com o bate-papo entre artistas inscritos com propostas e sonhos, agora passava para um novo estágio: a residência artística em si.


A maioria veio junto, de ônibus, até uma cidade próxima, e de lá partimos naquele fim de tarde para o início da aventura. Logo o tempo mudou e um temporal assolou a estrada de terra, que virou lama, e os carros não passavam mais. Caiu a noite e lá estávamos nós, de alma lavada, encharcados e felizes, chegando.


O pequeno Tuan, Jaya e Nadam nos receberam com um “bem-vindos à Terra UNA”, na casa da Borboleta – o ponto central da ecovila. Logo em seguida veio Nana. Reunidos na cozinha, de mãos dadas, cantamos e dançamos em roda... Celebramos nossa existência ali juntos, e, entre tantas outras coisas, conversamos, noite adentro... Foi assim, alcançando o belo, nosso primeiro dia em Terra UNA. A partir dali, seriam quatro semanas de convivência em comunidade naquela usina de força poética criadora, em meio a uma floresta, nos vales da Mantiqueira.


Terra UNA encanta.


Meditar, observar, interagir... O silêncio, a partilha, o mutirão... Pouco a pouco nos acompanha uma sensação de pertencimento a algo maior, indescritível... Percebemos a vida e a arte se entrelaçando de maneira diferente... Sentimos o acaso e as leis da natureza... Tudo nos conduzindo a um improvável descobrir de forças e limites, de superação e descondicionamento. Uma verdadeira expedição, uma viagem ao centro da terra e de nós mesmos.


Realizar e colaborar nos projetos artísticos de cada um acaba se tornando um caminho natural de querer o melhor para o outro, para cada membro dessa nova grande família. Pensar propostas em conjunto também, porém são menos freqüentes - pois que é preciso dar conta dos trabalhos individuais de cada um e às vezes isso envolve a urgência do tempo. Precisamos aprender a lidar mais com ele, o tempo; mas também com nossas expectativas, nossas perspectivas, deixar fluir e viver aquele momento, transbordar, nos reinventar. Somos seres inquietos, mas ali aprendemos um novo tempo das coisas.


Das experiências mais interessantes, a maioria acontece quando estamos juntos, embriagados pela convivência. O lugar, as pessoas, tudo se transforma em campo expandido de possibilidades, que despertam, que transcendem. O impulso criador reencontra necessidades vitais. Vem uma certeza quase misteriosa de que aquilo, a experiência, vai permanecer, nos acompanhar dali em diante. Quem sabe alguns de nós consigam traduzir tudo isso e compartilhar, com toda a magia do sensível, aquela vivência; ou quem sabe só mais na frente, no futuro, toda essa energia se manifeste e se espalhe, além-nós.


Seduzidos pela memória, e pela verdade dos dias, a vontade é de continuar a habitar aquela realidade.


O sol já se pôs, mas ainda não terminou. A noite se apresenta e nos reserva outras surpresas... E quem sabe, amanhã tem mais.


Longa vida Terra UNA, terra de todos nós.



Vídeos


Brainstorm

1’ fotografias de AoLeo



vídeo-expedições

(estudo 1) 3’



Quimeras da Mantiqueira

série de vídeos 15’
Co-autoria / Colaboração: AoLeo, Fernando d’Pádua



Projeto liberdade

3’ realizado com os alunos da oficina de vídeo


Textos


O cartaz da floresta

e outros






 

A partilha do sensível
(ou viagem ao centro da terra)