RESIDÊNCIA ARTÍSTICA Terra UNA

Interações Florestais 2011

Ora com os olhos, ora com as mãos



De: Aline Midori Seino Andrade

Ação, MG

A Proposta

… e tanto com a boca quanto com os pés. A pesquisa durante a residência tem a pintura ,modelagem e dobradura como possibilidades, somando no seguinte propósito: exercitar os sentidos além do visual e a motricidade além da convencional (mão direita/ pés alternados em caminhada).Mapear caminhos na serra e levar o outro a perceber o entorno com os olhos vendados.
A etapa simultânea é observar, com um gravador em mãos, e fazer uma descrição oral da área escolhida, depois da obra feita ou instalada no local.
Imaginar oferecer ao público cego, como fotografias. Assim como o fotógrafo, o descritor desperta para curiosos pontos de percepção, para possíveis traduções com a palavra sonora. Olhos que captam o ambiente, olhos que expressam sugestões. Mãos de um leitor de braille e de um massagista, que sentem e interpretam aquilo que tateam. E assim exercem seu trabalho. Boca de tônicas emotivas, de palavras um tanto ditas. Boca de usufrutos exóticos e saborosos, de texturas infinitas. Pés que acariciam a grama e se surpreendem com o besouro. Pés que executam pintura sobre a pedra, com pincel entre dedão e o vizinho. E assim, boca e pés se alternam na ação de pincelar no contexto florestal.

Interação com o Ponto de Cultura

"Contrastes e coincidências" - Oficina de experimentação, apropriação, instalação e registro.
Voltada a moradores da cidade que simpatizem com a proposta, disponíveis em um mínimo de quatro manhãs ou tardes.
Experimentar a execução da obra -pintura, modelagem, escultura em papel ou sabão - com percepção e motricidade variada, similar à ação a qual me proponho na ecovila.
diante das obras produzidas neste contexto realizaremos uma troca, acrescentando elementos, recompondo formatos.
Instalar a obra refeita em ponto da cidade que revele contraste ou coincidência.
O registro da obra instalada através de fotografias, relatos, vídeos ou desenhos não apenas pelos participantes da oficina , mas tambem pelos transeuntes. caracterizando uma vivência na cidade.

Mais informações em http://orukamidori.blogspot.com

Sobre o artista

Artista orgânica e corporal, licenciada pela EBA/UFMG em 2005, pratica a Escultura, principalmente a Dobradura (Origami)e pesquisa seus potenciais de articulação e instalação.
Atuou na Escola M.Prof. Ana Guedes como professora de Artes em 2007-2009
Educadora em exposições no Palácio das Artes -BH, Casa Fiat de Cultura desde 2002
Participa do coletivo Kaza Vazia/ galeria de Arte Itinerante desde 2005, e do grupo Diálogo desde 2004
Integrante da Cia Watu/Teatro de Animação,grupo de pesquisa, produção e atuação com bonecos e objetos, como a peça "A princesa que amava insetos", vinculada a ATEBEMG -Associação de Teatro de Bonecos de Minas Gerais
Praticante de Tai Chi Chuan, a somar experiências diversas como Capoeira Angola, Dança-Interpretação, Performance, Biodança, entre outras.
A produção além do visual é através das obras tridimensionais, gravações sonoras e ações que viabilizam o contato com o público PNVisual desde 2005.
Concepção de livros ilustrados em formatos variados.

Comentários

1. Aline Cristina da Silva
01/02/2011 13:28
Xará Midori!!!

Lendo algumas coisas e outros projetos to tentando responder sua pergunta com outra pergunta: será que após adquiridos a experiencia do momento é possível perder memória, história, patrimonio? Acho que é possível deixar de lado, renegar, encobri-la de "outra" memória, história, patrimonio, porém ela sempre estará lá...E sinto que como artistas, educadores, conscientes devemos movimentar e fazer diferente deste processo que te disse acima. Posso dizer de experiencia propria, por exemplo sobre a consciencia negra dentro de minha familia. Alguns lutam para manter a memória de nossos antepassados, outros discutem que isso já foi a mais de 2 séculos que temos de viver o furuto, passar por cima do passado sem preserva-lo e cuidá-lo...é uma luta crucial no qual eu estou enlouquecida... Algo para se pensar mais e refletir com serenidade...
Também queria te parabenizar com seu projeto que também é xará na idéia! ADOREI GURIA! Bafoooo.
Quanto a geometria que - vc citou - que irradia dum ponto pode ser experimentada com dobradura (Japão),poesia (França?)e dança (África e Brasil; também acredito em algo maior e abrangente, basta apenas conhecer e perfurar as linhas imaginárias territorias do mapa da geografia política...Vms ter que mais afundo e eu creio que devamos recosturar esta linha...kkkk

Um abração e vamos nos falando!
2. Fernando de Pádua Mesquita de Azevedo
30/01/2011 22:04
será um prazer compartilhar com você dessa experiência.
no momento estou em uma cidade do Marajó que só se utiliza bicicletas como meio de transporte. os veículos a motor são proibidos
abraços
3. Tiago Folador Galter
30/01/2011 21:18
Sensações que se afloram mais ainda em um ambiente como Terra Una,maravilhosa idéia, também quero parar,olhar e escutar com mais consciência...espero que tudo se encontre nessa caminhada...Até .
4. Daniel Seda
25/01/2011 22:22
Gosto muito da obra que sabe de onde partir mas nem imagina onde vai chegar, gostei da sua idéia de exercitar os sentidos para além da visão.

Descrever algo para alguém que não está vendo é ao mesmo tempo um exercício de percepção e uma forma de literatura oral, isso me interessa muito!

Boa sorte
:)))
5. Aline Midori
25/01/2011 19:48
Caros interantes, agradeço os comentários, quero ler com mais tempo, quem sabe hoje.
O que coloco agora é um convite: na quinta e no sábado (27 e 29.jan), às 18hs, na Rodoviária- BH, um "FAZER JUNTO": levar seu caixote, tamborete, malote ou tapete, para sentar-se e trabalhar!
Eu reconheço que me valerá muito continuar o que já é idéia - esculpir balas de goma e outras porcarias mais - registrar e enriquecer meu blog - e será interessante experimentar o espaço debaixo da escada, área de desembarque dos passageiros, próximo ao número 8.
Aí quem sabe tenha mais artistas ligados ao Interações Florestais em Belo Horizonte quem agradem dum ateliê ligeiro, deste estilo. Com seu material e propósito, se já tiver. Lancei a sugestão pro coletivo Kaza Vazia ontem.
Será um prazer fazer junto!
Midori (31)3494-1529/ (31)9234-9360
6. Amanda Freitas
23/01/2011 21:16
Você também trabalha com aquilo que é imaterial, impalpável que é a percepção apurada das sutilezas do mundo...e a sua forma de apontar isto ao outro é através do cativar, sensibilizar...muito bonita tua proposta. Tem a ver com a "experiência estética" que deveria ser o principal objetivo da arte. Eu não gosto deste termo para designar do que se trata, mas sob este nome há muito já dito e escrito antes. É uma forma de despertar...

Boa sorte!
Luz.
7. Deborah Cimini
21/01/2011 13:25
de corpo inteiro e com todos os corpos...quanta expansão... abrir os sentidos para o infinito e permitir que ele nos ensine a ser maior a cada porta que se abre... mágico...e você é uma flor! Não sei se você se lembra de mim quando nos encontramos para despedir da Julie no palácio das artes e conversamos sobre espiritualidade e expansão da consciência e me lembro que no final você disse que queria entender, mas acho que não precisa mais porque já mora lá... é simples, lembra? sopro de luz...seria lindo interagir com você naquela vila. beijos e sorte!
8. Mariana de Matos
20/01/2011 18:05
Ei, Aline. Desculpe a demora em responder. Estou viajando, e ainda não tive a chance de ler todas as propostas. Nos conhecemos no Kaza mesmo, há uns 5 anos atrás.
Como você mesma diz, a proposta se configura a partir desta provocação lúdica. Não sou eu quem assumirei o papel da obra de arte. Serei eu, a provocadora de nomeações, quem está para contaminar, disseminar e manobrar os conceitos ligados a arte.
Ou pensando bem, eu assumiria o papel de obra, exatamente enquanto faço isso.

Beijo,
9. Mariana Vilela
20/01/2011 09:52
Olá Aline,
Proporcionar ao outro o desconhecido, o não-convencional é uma grande proposta...

Agradeço suas palavras e, principalmente, as perguntas. Sem elas não nos movemos....
Gostei da proposta do coletivo Kasa Vazia e gostaria de trocar mais figurinhas com vc.
Fica aqui meu email para possíveis contatos:
nnanavl@gmail.com
e dê uma olhada no blog do Coletivo Ambulante.
Bjs e boa sorte.
Mariana
10. Marcela Antunes
18/01/2011 22:08
Ahhh e será um prazer te ter junto ao sopro e a batucar os feijões***
11. Marcela Antunes
17/01/2011 19:25
Olá Aline,


adorei suas fotos, qtas coisas interessantes, seu trabalho parece bem vasto: fiquei com vontade de participar, além de fazer tai chi chuan e capoeira rs
kaza vazia? que bacana, conheci a Sarah e o Marcelo XY, ´no Multiplicidade em Vitória em 2007, mtooo bacana o projeto - parabens!
E o coletivo 13 numa noite(que integro) tb participou de um bate papo com vcs aqui no Rio- meza vazia papo vazio, no pedregulho. vc tava la?

espero te ver
bjksss
12. Douglas Pego
17/01/2011 17:40
oi Midore,
que bom te encontrar aqui. Quero muito te encontrar la na residencia. Adorei sua proposta. Mas se nao tivermos a chance de estarmos juntos la saiba que me interesso muito por participação nessa sua proposta, caso venha realiza-la alem do projeto Terra Una.

Sobre meu projeto, fiz um teste com as placas de ceramica antes.. quando aumento a superficie a pressao diminui, assim as placas nao esmagaram os bichinhos não, rs.

No piquenique podemos sim conversar sobre o Kaza, será um prazer. Quero tbm conversar sobre a propria experiência que estaremos vivendo na hora.

Espero te encontrar la. Senao nos vemos por aqui. bjos.
Pego.
13. Mariana Soares Leme
14/01/2011 01:30
Me encanta sua proposta...desvendar a paisagem com mãos e pés, descobrir e descrever, experimentar de um ponto de 'vista' diferente, trazer o encontro (pessoas e paisagem)para o momento presente.

Um abraço!
14. Tiago C. Gomes
13/01/2011 22:51
Concerteza.
Todas as linguas possíveis.
Um poema pode ser poema em muitas formas linguas e momentos.
15. Rosa Yazigi
13/01/2011 01:40
Corpo e mente: desvendam muitos sentidos...
Alma e espírito: transcendem todos os sentidos...
Adorei!!!
Um forte abraço!
16. rodrigo d'almeida
10/01/2011 10:55
Olho do mesmo modo,
Como que poderia escutar,
Meus olhos são meus ouvidos,
Ofereço-lhes minha diferença.
Meu coração não é surdo,
a nada neste duplo mundo.

Explorar os sentidos além do visual, desconstruir barreiras entre os outros sentidos,
tocar com presença e e exercitar uma escuta visual são tema para uma pesquisa/instalação
enxuta cara Midori; e o ambiente de Terra Una
é muito positivo para sua proposta pois além do visual tem muito para escutar com o som natural das cachoeiras e o canto dos pássaros, muito que tocar com pés na relva, e
a água fria dos riachos, ainda muito que provar novos sabores, e cheirar novos aromas.

Sucesso para você também.
Será um grande prazer trocar saberes contigo e tê-la como colaboradora na minha proposta assim como tenho vontade de experimentar e colaborar no seu trabalho.

um abraço.
Rodrigo

17. Gilio Mialichi
09/01/2011 19:48
Oi Aline

Quanta proposta inscrita de qualidade...cada um com sua poética, objetivo e conhecimento adquirido durante a vida...

Aqui todos temos muito a oferecer e aprender também...e é por isso que estamos juntos nessa.

Aproveito para convidar aos que ainda não visitaram e apreciaram os projetos para fazê-lo. Vale muito a pena...pessoas novas, conhecidos, dúvidas, poéticas semelhantes,surpresas, emoções....diversidade!!!

Minha proposta inscrita é "Homocrisálida"... passem por lá e registrem suas impressões.

Também tenho um blog com imagens de outros trabalhos que contam um pouco da minha história artística. Se puderem visitem:

gilioarte.blogspot.com

Escrevam.......... gmialichi@hotmail.com

Até

Gilio Mialichi

18. Flávia Paiva
09/01/2011 13:18
eba! e já encontrou uma forma de interagir com o meu trabalho! adorei... esse é o sentido dele!
eu pegarei seus grisalhos sim... ja vamos criar essa ação juntas rsrsrsr

nos encontramos!
Flávia
19. Khalil Charif
08/01/2011 15:52
Que delícia sensível essa coisa de boca e pés, Aline!

Coisa boa de realizar... já dá pra se imaginar fazendo!!!

Vai ser ótimo, pois é muito revelador isso de caminhar com olhos vendados, fazíamos muito esse exercício no teatro da CAL, aqui no Rio... ah, bons tempos...rsrs

Fazer a descrição oral dos lugares com o gravador tb parece uma experiência muito interessante. Fiquei instigado... Ouvir esse material sonoro depois, trabalhando diferentes anotações de diferentes pessoas... muito bacana! Eu quero!!! rsrs

Acho que nas Interações, além da experiência com o fazer que vc propõe, poderia pensar em usar também a sua grande experiência com movimento, muito bom de ser aplicado no Ponto de Cultura...

Depois fala mais do Kasa Vazia se tiver chance, que não achei aqui no link e fiquei curioso...

Parabéns viu!
Torcendo já!!!
20. Gilio Mialichi Neto de Oliveira
05/01/2011 18:01
Oi Aline

Que boa ideia...apresentar o espaço em diversas linguagens e também pensar no desfavorecido... parabéns.

Boa sorte

Gilio Mialichi
21. Flávia Paiva
05/01/2011 16:06
Se nos encontramos no terra una, comeremos pipoca uma a uma? hummmm adorei essa ideia! rsrssr

bonitas formas,

olhos vendados vamos além....