“High tech” feito à mão - Jogo Interativo e Maquete
De: Hélène Arthur Delmonte
O Projeto
O que define este jogo interativo como “high tech” feito à mão? Aliás, a várias mãos!
Existe um caminho criativo, antes, durante e depois de cada partida... que desenha suas formas, delimita seus passos e espaços, elabora seu percurso, seu diferencial. Ele precisa ganhar corpo para ampliar seus horizontes, apresentar-se ao mundo. COMO? Analisando o processo. Entender a essência que move as pessoas a participar espontaneamente do jogo. As cartas surgem da identificação de palavras-chave, referentes às vivências de cada um, enriquecendo o diálogo e facilitando a socialização do conhecimento. Os elementos fundamentais à interação serão estudados na sistematização de cada partida. Uma escultura representará a análise: recortando curvas de nível em papelão (reutilizado); ligando-as com barbante, linha, lã, fibras, arame; papier-maché, etc. Inspirada no relevo da Mantiqueira, A MAQUETE E SEU REVERSO* simbolizam o brilho nos olhos, interagindo...
* No recorte das curvas de nível o vazio vira cheio... surge uma nova dimensão - é o reverso da maquete. Na escultura pesquiso nova forma de suspensão, preenchimento e função dos espaços (dif. das fotos) p/ realçar o tênue limiar da densidade.
Interação com o Ponto de Cultura
jogo interativo “high tech” feito à mão
Proponho ao Ponto de Cultura e Sustentabilidade convidar a escola de Liberdade a conhecer a ARTE como ferramenta transdisciplinar através do jogo interativo – humanizando a educação através da arte.
Várias partidas do jogo interativo acontecerão durante todo o processo de vivência no Ponto – 2 encontros semanais, 3 horas cada (total 24 hs) para oficina de construção e vivência:
1) conhecer quem faz parte do grupo, descobrir o que faz seus olhos brilharem; 2) entender o que é comum àquele grupo;
3) identificar elementos distintos que criam sua identidade; 4) confeccionar tabuleiros, peões, cartas, etc. que nortearão as partidas (confeccionados c/ materiais alternativos, do ambiente do grupo); 5) mapear a área de atuação do grupo dentro da proposta de sustentabilidade; 6) propor um diálogo transdisciplinar com a escola, através de uma ou mais partidas.
OBS: todo tipo de expressão artística faz parte do processo vivencial do jogo; quanto à forma depende do grupo (desenho, pintura, poesia, performance, dramatização, mímica, expressão corporal, música, fotografia, etc.).
Sobre o artista
Desde 82, em Campo Redondo, Serra da Mantiqueira - rural, trabalho com arte. Atuação transformadora. Proj. Centelha: Educ. amb., resg. cult., teatro /expressão corporal, tear-fiar, inglês contextualizado na Mantiqueira, confecção mapas/maquetes... envolv. crianças, jovens, adultos da comunidade; buscando referências locais concretas, fazendo ponte c/ conteúdos estudados na escola. 2001, desenvolvo o JOGO INTERATIVO, como proposta artística, na intenção de facilitar a socialização do conhecimento, principalmente no processo ensino-aprendizagem. Ao fazer maquetes de relevo (alto-Aiuruoca) descobri que: “high tech” feito à mão era o diferencial deste jogo interativo. A interação desvela o “brilho nos olhos”, valorizando o que cada um traz na bagagem, na compreensão do viver nesta Terra. Tecnologia/metodol. são necessárias à pesquisa, aprendizagem, elaboração, participação. Transdisciplinariedade: base do diálogo; p/ organizar e sistematizar a vivência artística, transformando-a em momento de reflexão pessoal e coletiva e de mão-na-massa.
Formação:
Arte_Pedagogia_pós-grad.:PlantasMedic._DesignerInstrucional
fiação/tecelagem-Manuais_Macramé
Comentários
Muito obrigado pelo seu comentário.
Adorei seu texto, obrigado.
O lúdico é um tema fascinante!
Parabéns e axé!
obrigada pela resposta, acho que foi proveitosa para esclarecer mais seu projeto!
Me encantou a proposta de jogo com o relevo.
Teus fios tb me chamaram a atenção.
Gosto de "fiar" e costurar nos meus desenhos.
Boa sorte
Virginia.
vica.arte@gmail.com
a escolha da árvore é bem critériosa segundo necessidades do trabalho, seja de ordem técnica, estética ou de outras que escapam à razão. quem sabe até as árvores possam me escolher?
não sei em quantas farei a ação, nem se serão próximas ou distantes, de espécies semelhantes ou distintas. ou ainda como vou compor visualmente o trabalho enquanto instalação - residuos das ações; ou mesmo como pensar as fotos e o vídeo.
estarei aberto e presente.
pretendo estender a proposta para outros residentes. não sei se haverá adesão ou não, de quantos, por quantas horas ou dias. e como se dará o comunicação destas vivências.
aposto na construção coletiva das idéias neste caso.
também é possivel que passe a noite em alguma árvore. e provavelmente não levarei ipod ou livro como prevê o projeto. repensando, conclui que estes elementos são significativos quando faço na cidade. na mata, outras percepções e estímulos me aguardam.
já vivi momentos de intemperies fazendo a performance em centros urbanos; já tive que adiar por chuva, já tomei chuva durante, já tive que fazer durante dois dias muito frios em curitiba porque tinha que aproveitar a autorização da secretaria de meio ambiente e urbanismo que tanto tentou me serciar, depois de anteriormente quase ter tido voz de prisão por estar sobre uma árvore sem autorização.
e dale casacos!
acho que as intemperies serão fatores menos complicadores neste caso, por ter um mês de residência.
quanto a desenlaçar as árvores, é algo a ser decidido durante a residência juntamente com os responsáveis pela ecovila. ainda não tive a oportunidade de deixá-los em nenhuma árvore. acredito que os fios resistam por um bom tempo no ambiente.
bom, como vê o projeto segue em aberto; esperando a oportunidade de se configurar segundo o meio, o tempo, as relações e possibilidades.
mais uma vez agradeço as colocações
deixo um abraço carinhoso
hominidae
muito obrigado pelos comentários e questões sobre o meu projeto. foi um texto generoso.
aprendemos muito com o olhar do outro, e aqui tem sido um bom espaço de troca.
sobre o Ki, temos muito a experimentar e aprender; não é dificil perceber a energia da matéria viva; ela se apresenta de muitas formas e nos temos muitos canais sutis de percepção que estão além do que nos ensinaram social ou culturalmente. podemos sensibilizá-los a partir de práticas conduzidas ou mesmo pelo silêncio e atenção.
neste sentido a respiração pode ser elemento fundamental.
o significado etimológico mais tradicional de ki traz uma imagem bem sensível: a do 'vapor subindo do arroz enquanto cozinha'
poesia sensorial.
ainda vi pouco; mas essa coisa de fazer um caminho que se vê, que se percebe, nos traços, manchas, terras, cores por onde se passa... passando para o suporte com o registro desse passar...
saudades de Manu, com seus espelhos psicodélicos.
Que legal que ela fez esta conexão.
Mantiqueira que nos queira!
Inté
gostei do seu caderno ...
aíás, são vários, é isso mesmo?
agradeço a citação, valeu.
vou ver seu projeto, ainda não o visitei.
Inté
Usei um texto teu em um caderno meu a algum tempo atrás. Dá uma olhada:
http://www.flickr.com/photos/hannap/3268597429/
É da tua participação anterior no Terra Una. A Manu foi quem me apresentou o projeto e desde aquele momento me encantei pela proposta. Que legal!
Obrigado! Espero que tu gostes da citação.
Beijos
Gus - Caderno da pertencença
Para mim este é o êxtase e o mais nobre objetivo!
Parabéns!
gostei de você ter feito esta pergunta.
Bom, uma vez, quando um amigo me contou sobre maquetes feitas com pescadores e seus familiares, nas Filipinas, em que registrava-se tudo que achavam importante, representando estas informações através de marcações e legendas, comecei a vislumbrar uma gama de possibilidades, com “camadas de informações” em que diferentes assuntos podiam ser tratados, as interações, que desencadeavam o diálogo de questões essenciais à população local... Eu soube de outras maquetes, também incríveis, mas cada vez demandavam mais tecnologia, com materiais sintéticos, técnicas e valores inacessíveis... para mim e minha vizinhança. Daí pensei e sugeri... vamos fazer nossa maquete, usando da tecnologia e sofisticação, porém, dentro de nossas possibilidades, com criatividade. Pesquisamos materiais (reaproveitamos o papelão de caixas, usamos arames, bambus, etc., por exemplo, ao invés de isopor e acrílico); tivemos também de desenvolver uma estrutura especial de construção, dimensionamento, representação, metodologia... Para mim, isso é “high tech”, E então, o jogo interativo também segue esta mesma concepção, buscando formas de representar, em palavras, desenhos, cartinhas, dinâmica de construção coletiva, através da interatividade, na socialização das vivências e do conhecimento de quem participa e na sistematização do jogo em si... e de seus desdobramentos, em novas partidas...
Há alguns anos vivencio este processo de construção, no alto-Aiuruoca (Serra da Mantiqueira), com meus amigos e vizinhos.
Enfim, “high tech” feito à mão propõe, inclusive, uma relação olho no olho; acredito que seja, no momento, uma necessidade básica a ser resgatada no sistema que normalmente é considerado altamente tecnológico, cada vez mais disseminado pelo mundo todo... Esse resgate acontece quando as referências partem do nosso próprio olhar, nos vendo em nossos locais de moradia e trabalho.
Valeu Ana,
os padrões que fazem parte de nossa constituição natural criam e recriam combinações e representações às quais reconhecemos como parte de nós. Isso é complexo...e está presente nas formas mais simples... ‘aos olhos nus!’ Morfologia é demais!
Nas oficinas, eu faria tudo o que sobra dos bambus das galerias... Agulhas de tricô, colheres de pau, canetas nanquim, olho-de-deus... O tricô seria só para quem se interessar. Lá é um lugar frio, deve ser bom saber fazer sapatinho de bebê, cachecol, bichinhos e bonecos para alegrar a vida das cças...
Parabéns pelo trabalho! Fiquei curiosa em saber mais sobre a relação do trabalho feito à mão com o conceito "High tech" dentro do seu projeto!
fico feliz com sua sensibilização.
Reconheço que tenho influências da antroposofia mas não sou professora Waldorf. Trabalho com lã desde 1982, quando fui morar nas montanhas e criava carneiros (poucos). Sim, tinjo minha lã. E você, é professora?
Vamos sim, conversar.
Vc tb é professora Waldorf? Que lindo seu trabalho...
Vc mesma tinge suas lãs? Podemos conversar?
Milhões de perguntas aqui na cachola...rs
vmgdacamara@ig.com.br
Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.
Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...
Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...
Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.
"A passagem do vento em si só trás mudanças
mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"
Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.
Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !
Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
Minha caminhada amadurece este olhar.
Quero vivenciar um destes jogos...
quando? onde?
maravilha
as linhas da vida de uma mão calejada
gratidão e amor
Agradecida.
Realmente, é um trabalho que vem de dentro e ao interagir, trás novos elementos para a interiorização - para o processamento dos arquivos pessoais e coletivos em cada um de nós... sentir-se parte de um processo comunicativo que se cria no coletivo, a partir da socialização de referências pessoais e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de se reconhecer como co-autor de algo que se colocou no "balaio", na roda... e ganha forma. Para novas interações.
grande abs
Fred
É tátil e coletivo...
Parabéns!


