cartografia do indivíduo
De: Anna Thereza
O Projeto
Interesso-me pela cartografia de cada um, do indivíduo, do seu cotidiano, seus deslocamentos, suas referências e raízes. O muro descascado, a esquina onde o silêncio mora, a rua que cheira pão. A distância medida em três passos, ou num quarteirão, cinco minutinhos ou uma eternidade. O ir e vir e o por onde e como.
Gostaria de trocar com os participantes essas construções de percursos próprios e as percepções de cada um em um local onde as referências serão as árvores, a casa do jõao de barro, o verde e as folhas e o marrom da terra, a locomoção será a pé e os habitantes serão os mais distintos animais. Pretendo realizar um grande mapa da Ecovila usando como base essas relações, e desenhando esse território a partir dos caminhos inventados e apropriados durante a residência e dos elementos presentes, percebidos e vividos por cada um.
Pretendo também realizar uma interação no local, demarcando um caminho, com as indicações de lugares e “atitudes” como em uma cidade: pare, ouça, respire, reflita, corra, sinta a brisa, ande descalço, atenção às formigas, ceda passagem para a centopéia, veja a paisagem...
Interação com o Ponto de Cultura
Proponho uma oficina em que as pessoas reflitam sobre as suas relações com o espaço, e relatem um percurso em um dia. O que elas observaram, quais são as referências nesse percurso. Qual o tempo levado, qual a distância percorrida. No final proponho a construção de símbolos, e o desenho de um mapa coletivo, em que esteja presente a cartografia de cada indivíduo. Em um primeiro encontro apresentarei alguns artistas que trabalhem com a relação com o espaço, a ocupação e a cartografia, propondo a atividade de se refletir e vivenciar sobre a relação de cada um com a cidade. Num segundo encontro faremos a confecção de um mapa da região a partir dessas experiências
Sobre o artista
Anna Thereza é formada em Licenciatura em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio do Janeiro. Participou do FotoRio 2007 dentro do evento DiVerCidades, teve fotos e desenhos publicados pela revista espanhola Rojo e ilustrou o Livro Lagoa Coração (texto de Roberta Caldas). Durante todo o ano de 2008 realizou intercâmbio universitário na École Supérieure des Beaux-arts de Marseille, onde participou de uma exposição (VENT) e desenvolveu oficinas com crianças nos ateliês públicos da cidade. Em 2009 trabalhou com arte educação e em 2010 dará início ao mestrado em museologia na UNIRIO.
Comentários
Parabéns! Muitas alegrias e sorte!
boa sorte!
demorei pra lhe identificar.... foi mais pelo "divercidades"
apesar de linguagens diferentes me identifico
beijo
e otimo ano novo
Interessante no teu texto e no teu projeto que vc se propõem construir objetos, no entanto me perguntei: onde estará a obra?
Naquilo que foi produzido ou no processo? Seria então o objeto resíduo ou documento de uma relação?
Para além do mapeamento da 'coisas', teu mapeamento parece ser de um desejo de pertencer.
Bom ver teu projeto, pensamento vivo, teria vontade de presenciar/participar.
boa sorte a todos nós.
Abraços
maíra
Que bom que a proposta ficou mais clara.
bom ano novo!
Abraços,
Anna
Gostei muito de ler seus esclarecimentos. Agora está mais clara a proposta!
Abraços,
Cristina
suspiros e poesia. Boa sorte pra ti, e feliz ano novo!
flores
gostei muito da trajetória que propõe. Como representar a sutileza de um passo, ao pisar na lama, na grama, na areia, ou na poeira... qual a diferença de um caminho e outro, de um trecho ou outro, de um momento ao outro.
Inspirador.
Temos algo em comum.
Proponho retratar o "brilho nos olhos" com uma técnica 3d que tenho desenvolvido para representar maquetes cartográficas... Quando construo o relevo, surge um novo espaço de ocupação... no papelão, sobra o espaço vazio, que é preenchido por uma "sobra"... o que esta sobra representa? O ar que respiramos... o que inspiramos a todo momento? O ar... o que preenche o espaço do olhar??? Não são apenas moléculas de oxigênio... é uma expressão que para ser representada, tem de ser percebida, sentida e liberada.
Eu entendo o seu caminhar.
Espero poder interagir mais contigo,
Inté.
Gostei da sultileza de seu projeto.
Parabéns.
Bom o trabalho do Julio Callado vi sim,e gostei, mas creio que ele seja mais voltado para a fotografia. Na realidade, o meu projeto é mais desenho. Pensar o espaço a partir da percepção e vivência de cada um, e transportar essas impressões para o papel. Como em um mapa, onde se tem, por exemplo, a medida, mas no caso a medida é a impressão e não a medida real, ou seja os passos, o tempo, etc... e para cada medida tem se um símbolo, uma legenda, uma representação... é meio confuso mas talvez no endereço qeu tem ali em cima isso fique mais claro... o trabalho "percurso" que foi algo semelhante que fiz com amigos... o mapa de uns 30 amigos, o percurso diário de cada um.
Em terrauna pretendo fazer um grande mapa da região, com as vivências e percursos dos participantes. No ponto de cultura pretendo realizar o mesmo.. apresentar alguns mapas, e como se organiza a cartografia, para que serve, etc... podendo apresentar alguns artistas que "mapearam" o espaço... e na sequencia pensar no caminho qeu eles fazem diariamente, o qeu notam, quais são os pontos de referÊncia, ou o que eles acham interessante...e depois desenhar um mapa, mas cada um pensando no seu próprio e nas suas representações... por exemplo como representar a distância de 5 minutos... ou de 3 passadas largas... ou como representar um passo acelerado, ou um percurso de bicicleta, uma casa amarela, um pássaro voando, uma paisagem, etc... ui, escrevi muuito.. mas espero ter esclarecido.. será?
abraços
Anna
E voce viu o projeto desenvolvido por Julio Callado na primeira edicao da residencia? Recomendo muito! http://terrauna.org.br/interacoesflorestais/Julio_Callado.html
abracos, Cristina
Tomara mesmo nos encontrarmos por lá, ou quem sabe por aí...Nos recantos do mundo.
Feliz Natal.
Virginia
esta citação não foi apenas uma forma inicial de dialogo que me ajudará no meu trabalho. Acho que arte e conceitos são duas coisas que devem estar juntas, por isso coloquei os meus em contato com os outros para poder crescer e realizar um trabalho ainda mais maduro.
Gostei dos “Os dois reis e os dois labirintos" do Borges
Seu projeto é belíssimo, me fez pensar sobre os territórios da liberdade que permeiam pelos limites.
Já li o seu projeto e me encantei.
Traçar mapas poéticos com cada participante...Dá vontade de se envolver nessa atividade.
Tomara nos encontrarmos.
Venho ainda colocar para quem se interessou em ler as frases que foram "comidas" na publicação do meu projeto, fato alertado pela colega Mariana Leme.
Aqui vão:
"Na bagagem quase zero: papel e tecido em branco, cola branca, livros de cabeceira não brancos, carvão negro, pastéis de desenho.
A vivência na arte me ensina: ela é um meio efetivo de transformação. Unir sabiamente arte e ecologia. Isto é um sim, pretendo aprender e compartilhar."
parabéns e sucesso.
parabéns e sucesso.
que interessantes estes mapas de subjetividades;
cartografias do corpo ambiente.
adoraria ser um ponto no mapa.
desejo sorte.
ricardo
hominidae
fiquei parada no meio e fiquei observando o rapido movimento das pessoas q me davam vertigem.
Observar o movimento da paisagem, urbana ou totalmente natural me faz pensar, me deixa existencial. é muito bom sentir a natureza!
gosta da re-significação do espaço, descobrir coisas nele...
Gostei muito do seu projeto
Parabéns!
Ainda estou realizando meus estudos sobre as ecologia das bacias hidrográficas...
Uma das fontes da qual tenho encontrado informações:
http://www.manuelzao.ufmg.br/
mantemos contato...
Vc me perguntou sobre as fotos das pegadas. Não tenho nada, perdi tudo!
Fiquei 10 dias numa Ecovila em Botucatu - SP (por outros motivos). As imagens ficaram na lembrança e nunca mais voltei lá... Mas, sei que o terreno ainda é o mesmo e dá para retomar, um dia...rs
demarcacoes imaginarias, itinerarios, pontes d eequilibrio..
preciso teu contato
sucesso
(William Blake)
Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.
Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...
Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...
Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.
"A passagem do vento em si só trás mudanças mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"
Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.
Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !
Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
Torço por vc.
Abraços Virginia
Adoro mapas!
:)
Descobrir um território novo a partir da construção de um mapa pessoal é uma idéia linda, e mapas intuitivos e subjetivos carregam ainda mais poesia.
(Adorei a imagem do seu mapa também...)
Boa sorte!
:))
Daniel Seda
(moráveis orgânicos)
obrigado pelas considerações.
acho muito interessante sua proposta de evidenciar A PRESENÇA do local.
um forte abraço.
samuel
gostei do seu projeto! acho que o proprio e simples ato de caminhar sem grandes objetivos já constroi um mapa subjetivo novo nas pessoas e nos espaços por onde anda. recriar esses mapas através do desenho será lindo! trabalhei por um ano numa comunidade indígena onde criávamos mapas, acho que podemos trocar idéias sobre isso! estou curiosa! abraço
Estou lendo todos os projetos (são muitos!) e este foi o primeiro que me fez abrir um sorriso! Adorei!
Parabéns!
Espero poder te encontrar por lá e construir contigo um caminho pra cachoeria!
Beijos e boa sorte!
A consciência espacial da alma no corpo e planeta é necessária para relações de harmonia e sentimento de unidade.
que compartilhemos o mesmo tempo-espaço.
gratidão
conhece a poetica do espaço do Barchelard?
é um livro belíssimo.
Boa sorte espero te ver lá
Me lembrou uma pesquisa de pegadas que fiz há muitos anos atrás...
Boa Sorte!
Sua idéia é um pouco do que fazemos no pontão de cultura da ufmg. Temos um projeto aqui que vem desde meados de 2003 e que já teve vários desdobramentos e vários nomes. Já foi R.U.A (registro urbano audiovisual) a origem, até simplesmente Cartografias e qdo aplicado nas escolas municipais de BH "Cartografias nas escolas". Fazemos o reconhecimento do espaço urbano usando as novas e velhas mídias, mapeando o hipercentro de Belo Horizonte. Nas escolas funciona como metodologia aplicada e adaptada pelos professores de maneira que atenda às necessidades.
Queria muito poder trocar umas figurinhas com você. Seu projeto é muito familiar p/ mim. Gostei muito.
Boa sorte e sucesso!


