Errar como Desenvolvimento | Envolvimento como Liberdade (título provisório)

De: Bruno Farias de Mello Freire

Ação, SP

O Projeto

O projeto começa ainda em São Paulo, 7 dias antes do início das atividades da residência. Bruno Freire deixará sua casa munido de 1 mochila, 1 caderno, 1 mapa e 1 máquina fotográfica. Caminhará a pé, durante 07 dias, em direção à Liberdade|MG; apoiando-se num tipo de meditação ativa. O percurso pretende ser um esmiuçar daquilo que se entende por Liberdade.

Onde fica a Liberdade? As indicações pelo caminho servirá de guia. Colecionando entrevistas, fotos, paisagens, narrativas e objetos que podem contribuir na espacialização da ideia de Liberdade. Serão realizadas também pequenas interven/ações, que funcionarão como marcadores no tempo e no espaço. Para esta performance Bruno Freire conta com a participação de Carolina Mendonça, formando juntos uma dupla de andarilhos que são corpos escultóricos que se movimentam numa coreografia geográfica efêmera. Um desejo de impregnar/materializar nos corpos a sensação física da distância entre SP e Liberdade/MG.

Um jogo nomâde que se apoia na ideia de que é necessário antes desenvolvimento para depois pensar em algum tipo de liberdade. Somente após muito caminhar estarei apto a propor e dar continuidade às atividades/artísticas em Liberdade.

Interação com o Ponto de Cultura

O projeto criará 3 encontros que pretendem se desenvolver na união entre teoria e prática:

1º Encontro (3h): Envolvimento com o caminhar. Uma caminhada palestra particip/ativa, onde discutiremos trabalhos de performers, artistas e teóricos que utilizam o caminhar como reflexão artística e política (ex: Situacionistas, P. J. Berenstein, treinamentos de M. Abramovic e de T. Hsieh, walkinginplace.org, e 'Coreografia Social' de A. Hewitt).

2º Encontro (3h): Errar. Faremos uma caminhada pelo município de Liberdade/MG. Um trajeto a ser definido. Depois, desenharemos cartografias subjetivas. Cada um terá a liberdade de escolher qual seria a melhor trajetória a ser registrada. Criando mapas subjetivos de memória.

3º Encontro (3h): Desenvolvendo a ideia de Liberdade. Uma conversa. O intuito é promover uma reflexão crítica sobre sustentabilidade e liberdade apontada no livro 'Desenvolvimento como Liberdade' do economista Amartya Sen (prêmio nobel).

Obs: A caminhada continuará durante a estadia na residência. Pretende-se assim, dar continuidade a investigação, aprimorando e ampliando a 'Coleção Liberdade'. O treinamento psicofísico poderá ser partilhado com possíveis interessados.

Mais informações em

Sobre o artista

Bruno Freire é artista do sexo masculino de 26 anos paulistano filho de mineira neto de alagoana formado em artes na PUC-SP 2009, onde realizou iniciação científica em dança e performance acerca de estéticas diaspóricas na América Latina. Finalizou o curso de performance com uma monografia sobre a elaboração de uma possível escrita performativa em torno da ideia de diáspora ('Errância é zona de partilha... Teoria em grego é procissão. É espetáculo. O leitor performer ativo é quem contempla os espetáculos de erros aqui registrados... Errai'). É integrante do GRiD, um grupo de reflexão do CCSP.

Entre seus trabalhos artísticos recentes destacam-se a vídeoperformance 'Paisagem com Homem e Mulher' filmada na Rodovia Fernão Dias entre BH-SP (2009); a performance 'Muro em Diagonal | Metaforas Espaciais com Experiência Concreta', na Verbo 2009 da Galeria Vermelho; e uma instalação urbana, o 'Projeto Colunas' (2008) – todos estes projetos recentes foram realizados em parceria de Carolina Mendonça. Em 2007 realizou no SESC Pompéia a vídeoinstalação 'Pingos de Minutos do Tempo'.

Atualmente faz do caminhar sua estética e prática diária. Buscando compreender o que é ser latino-americano.

Comentários

1. Tatiane Fernandes
02/03/2010 10:46
Bom dia,fiquei muito contente por retratarem minha terrinha,Liberdade.
Temos uma necessidade enorme de pessoas determinadas e inovadoras !
Como parte que compõe essa cidade,fico grata pelos projetos.

Perseverança essa é a palavraa inicial,desistam nuncaa ...
Atenciosamente,



Tati.
2. Hélène Arthur Delmonte
05/01/2010 12:43
Boa caminhada,
que bons ventos os guiem e que possam capturar e representar o ar em movimento... através do deslocamento que causarão nas mentes das pessoas pela reflexão sobre a liberdade.
Ação,transforma a ação, renova o espírito, lubrifica os olhos... que passam a brilhar!
boa sorte!
Inté
3. Rosane Felix
05/01/2010 06:32
andarilho caminhante... sorte.
4. yasmim
04/01/2010 23:00
Oi Bruno!!!!
fizemos a oficina da verbo né?!!
Legal que vc e a Carol estao por aqui!!
Errar como desenvolvimento, gostei!!
Boa sorte para todos nós!!!
bjo, yasmim
5. Gustavo Peres
04/01/2010 20:37
Bruno!

Muito legal!
Já gerou polêmica e surpreendeu.
Grande projeto. Espero que tu chegues à Liberdade com alguma bela idéia para desenvolver.

Parabéns.

Não esquece o tênis!

Gus - Caderno da Pertencença
6. van jesus
04/01/2010 01:48
achei muito incrivel..
o erra como proposta..
acho q o erra estar na Liberdade...

a possibilidade de provar experimentar....
7. Virginia Baptista
04/01/2010 01:22
Estou relendo um livro muito legal e não poderia deixar de comentá-lo.
Aqui vai um trecho que por coincidência li hoje antes de ler teu projeto.
É no capítulo-"O Poder Dos Erros"-
do livro SER CRIATIVO de Stephen Nachmanovitch.
" Não tema os Erros. Eles não existem"(citação de MIles Davis)
"Saber enxergar e usar o poder dos limites não significa que qualquer coisa sirva. Prática é autocorreção e refinamento, é trabalhar em busca de uma técnica mais clara e mais confiável. Mas, quando um erro ocorre, podemos encará-lo como uma informação sem valor sobre nossa técnica ou como um grão de areia a partir do qual será possível produzir uma pérola.
Freud nos mostrou a maneira fascinante como os lapsos de linguagem revelam o material do inconsciente. O inconsciente é o verdadeiro pão do artista, de forma que os erros e lapsos devem ser valorizados como informações inestimáveis do nosso interior.
(...) Podemos usar os erros que cometemos, os acidentes do destino, e transformar até nossas fraquezas em vantagens".
Abraço
Virginia.
8. Virginia Baptista
04/01/2010 01:04
Oi Bruno:
Admiro a capacidade de quem "esmiuça" e "fuça"; de quem faz contato.
Apesar da aparência solitária do andarilho, acho que recolher e colecionar no caminho, torna o andarilho acompanhado de tanto...
Até, de quem sabe...? Liberdade.
Ir a fundo...É o que me sugere teu projeto. E isso é uma coisa que não se vê muito por aí.
Me atrai, o andarilho.
Boa Sorte Virginia
vica.arte@gmail.com
9. Mariana de Matos
01/01/2010 19:58
brunofreire, querido. estamos agora em natureza de diálogo e não de esclarecimentos. só gostaria de te dizer que sim, me interesso sempre pelo diálogo. a força do termo discordar foi dito por você. não se ocupe por exemplo em pensar, que minhas palavras querem te afrontar por não concordarem com você. como estou na bahia, e impossibilitada de poder suprir este diálogo, adianto-te que ao voltar para minha residência, respondo seus comentários com o máximo de tranquilidade. não posso sequer ler tudo agora. um grande beijo.
10. b.
31/12/2009 13:34
A liberdade ilimitada do artista moderno tem sido um fardo interminável. Se a arte pode ser qualquer coisa, por onde começar?”

(Calvin Tomkins)
11. Bruno Farias de Mello Freire
31/12/2009 01:26
diante do impossivel, gostaria de recorrer ao uso de palavras nuas, nuas de significados.
12. Bruno Farias de Mello Freire
31/12/2009 01:24
não estou aqui pra manifestar, muito menos lutar por alguma crença.
13. Bruno Freire
31/12/2009 01:24
não estou aqui pra defender nada!
14. Bruno Farias de Mello Freire
31/12/2009 01:11
O desenvolvimento tem de estar relacionado sobretudo com a melhora da vida que levamos e das liberdades que desfrutamos. Expandir as liberdades que temos razão para valorizar não só torna nossa vida mais rica e mais desimpedida, mas também permite que sejamos seres sociais mais completos, pondo em prática nossas volições, interagindo com o mundo em que vivemos e influenciando esse mundo.”

Amartya Sen em Desenvolvimento como liberdade.
15. Bruno Freire
31/12/2009 01:10
qual a diferença entre fazer política da boa vizinhança e promover debate em prol de um coletivo?



16. Bruno Farias de Mello Freire
31/12/2009 01:07
Mariana,

vc me diz "discordo categoricamente".

discordar do quê, se eu ainda nem entendi o que suas palavras querem significar.
Cuidado pq, com fundamentalismo não se discute se faz guerra.

então, para não reproduzirmos um mundo de guerras,
vamos voltar para o começo de tudo.
quer dizer, voltar para o começo é impossivel,
então vamos limpar os mau-ditos e re-começar o diálogo.







oi Mariana. tudo bem?

li um comentário seu por aí,

achei que a gente podia conversar.

me interessei pelo que vc disse e fiquei com muitas dúvidas.

primeiro vc disse:

- ei... a liberdade humana não se fundamenta.

e descobri, agora, que vc disse isso pq te perguntaram antes:

- A deusa da razão é que fundamenta a liberdade humana?


1. minha dúvida quanto a essa pergunta é pq a gente tende a achar que razão está separada dos sentimentos e emoções?

realmente, eu tenho que concordar com vc que a liberdade humana não é fundamentada somente na razão. seria um leve deslize afirmar tal coisa.

mas aí vc respondeu que a liberdade humana não se fundamenta,

2. então pergunto: o que vc está querendo dizer por fundamento?


as outras partes da conversa podem se desmembrar a partir destas duas perguntas.






quanto a 'desistir ou não de fazer arte'. deixe-me tentar explicar:

nossos gostos e desejos, as vezes são determinadas por forças externas a nós.
O cinema por exemplo nos ensina o que desejar,
a publicidade tb faz isso, nos ensina o que querer, mas esses meios ou veículos não nos ensina 'como desejar'.
A gente não aprende a lidar com nossos desejos, a gente apenas aprende a QUERER E QUERER E CONSUMIR E QUERER. muitas vezes sem nem se perguntar PQ?

Isso é muito delicado e dificil, pq aquilo que queremos ser pode estar sendo ditado por regras e condutas morais e sociais, que nós simplesmente não controlamos.

quando a gente fala da 'liberdade', não é possível falarmos apenas na liberdade de um único indivíduo.
É necessário pensar um coletivo livre. e isso é o mais dificil.
Pq se é exatamente o social que controla nossas vontades e desejos, então todo coletivo tende a exercer uma responsabilidade e um 'controle' na liberdade de cada individuo.
Portanto o limite de uma liberdade individual é proporcional ao limite da liberdade do coletivo/sociedade que o individuo frequenta/habita/vive.

e a arte é influenciada pelas condutas da sociedade ou não?

é preciso desacreditar que o artista é um ser livre, à margem da sociedade ou que sua arte está livre desses controles sociais.
pq muitas vezes aquilo que o artista faz é somente aquilo que sociedade quer que ele faça, como por exemplo os tantos artistas/celebrities que produzem, exclusivamente, para ganhar dinheiro, prestígio e/ou fama.

quanto a arte ser influenciado pelo coletivo,

reitero, eu duvido que exista uma arte que funciona somente 'para mim' ou 'para você'.
a arte talvez só funciona pq é acessível e compreensível para pelo menos um grupo de pessoas. óbvio que esse grupo pode variar de tamanho. e óbvio que o artista para ser artista ele tem que se bancar sozinho, mas ele tem que se bancar sozinho diante da sociedade. Um altera o outro.

uma sociedade livre talvez seja aquela que tenha o maior número de produções artísticas, certo?
nessa 'sociedade livre' e utópica os cidadãos poderiam escolher e exercer seus desejos livremente, poderiam escolher a qualquer instante quais artes gostariam de consumir/fazer/criar/ler/ver na hora que bem entendessem?! certo?

não sei não, mas o capitalismo, ou neocapitalismo, está o tempo todo dizendo isso pra mim. que eu sou 'livre' pra consumir, livre prá querer e desejar ter o que eu quiser.
tô um pouco farto e cansado dessa falsa liberdade de escolha.

dizer que a liberdade humana é sem fundamento, tendo a acreditar que é uma construção de frase que desconsidera algumas coisas. mas posso estar enganado.

mas uma coisa é certa é no coletivo, entre eu, você e todos nós, que a arte pode se estabelecer, para daí tentarmos desativar algumas forças que controlam e limitam nossos desejos, ou seja, que cerceiam nossa liberdade humana.




não sei me expliquei completamente,
não sei se vc precisa concordar com o que digo.
mas tb não sei se vc precisa impor tão forte e claramente que discorda.

afinal, eu nem sei se discordo do que vc falou...
ainda estou pensando em tudo isso,
e aqui na internet a gente ainda por cima nem tem o controle de apagar o que escrevemos,

obrigado,
e um grande abraço.

bruno.
17. Flavia Paiva - Mecha em Tramas
30/12/2009 23:08
Oi Brunoooo
sou eu sim!!! lembra, das artes do corpo?? hehehe]

Então o que vc sugere é voto duplo???
tenho q pensar nisso!
vou terminar de ver os outros projetos, e na hora de votar penso com carinho em Vc e na Carolina!
18. mariana de matos
30/12/2009 20:55
nossas palavras não querem significar o mesmo.
19. mariana de matos
30/12/2009 20:50
bruno, entendo sua posição mas discordo categoricamente. por liberdade, defendo exatamente este poder manifestar. por fundamento, defendo tudo que é pré- e
que mesmo que seja da mesma natureza ou
não do que se tem DESEJO, lhe confere um tipo de restrição para a MANIFESTAÇÃO.

me foi feita a pergunta:
A deusa da razão é que fundamenta a
liberdade humana?

respondi a esta questão com o simples desdobramento-desenho da própria frase.
o sentido imbutido (e sim tem sentido),
é o questionamento literário que ela me apresenta. a contradição da formação da frase e o combate literário que as palavras sofrem.

lembro que por liberdade, entendo ainda, caso meu desejo fosse, "jogar frases" como você disse, por achar que elas mereciam se movimentar.

acho que o simples fato de você colocar a arte, atrelada à uma questão de decisão "desistir ou não de fazer arte",
já faz com que pensemos de forma completamente antagônica.

abraços.
20. Bruno Freire
30/12/2009 13:53
desenvolvimento na economia é um assunto delicado e ambivalente.

desenvolvimento se tornou palavra de ordem para empresas/fábricas que a fim de se desenvolverem a qualquer custo, afetam o ambiente e em troca plantam árvores, como forma de devolver à natureza aquilo que tomaram dela. No entanto muitas destas empresas não consomem árvores. Muitas destas fábricas poluem a água, rios, matam animais, enfim...
O mais chocante é que a ideia de sustentabilidade/desenvolvimento para essas indústrias se tornou sinônimo de plantar árvores.

qual tipo de desenvolvimento queremos?
21. AoLeo
30/12/2009 00:29
bruno....
..obrigado pelo elogio ao projeto.... confesso q tb gostei muito de sua proposta... e na verdade ela tem um forte dialogo com uma outra série de trabalhos meus que envolvem o caminho como força motriz da obra.... o caminho só existe quando você o percorre....portanto pernas pra que te quero....
...força ao projeto....as pernas...e....a mente....
...um abraço...
...espero que trabalhemos juntos em terra una...
... AoLeo...
22. Bruno Farias de Mello Freire
29/12/2009 18:29
sobre o REGISTRO,

queria dizer que cada Registro é também uma obra de arte em si mesma e pensada enquanto tal.

enfim. registro obra. obra registro.

artistas importantes criaram performances que só são possíveis de se conhecer através dos registros (falas, textos, imagens, vídeos) e esses registros são as obras.

registro como obra.
obra como resgistro.

será que a performance em si não é um registro vivo de uma série de treinamentos e hábitos anteriores que compromentem as escolhas da performance?

beijos.
23. Bruno Farias de Mello Freire
29/12/2009 18:19
Cristina.

vc disse: por que eh necessario falar de liberdade em relação a criação artística?

a ideia é criar uma grande cartografia, utilizando todos os registros possíveis. é colecionar ações em torno da ideia de liberdade. demarcar territórios, desmarcar territórios. é confundir o espectador. nunca uma resposta.
mas se jogar nos opostos entre estar livre e preso.
quem nos limita, será o ambiente ou nós mesmos?
criar regras para nos apoiar e ajustar o nosso corpo na paisagem.
isso interessa.

minha resposta ficou um pouco difusa, mas respondi a sensação de tudo que vc me falou e tá aí embaixo. qq dúvida pode perguntar de novo.
e se quiser posso exemplificar melhor quais os tipos de jogos pretendo criar...

beijo.
bruno.
24. Bruno Farias de Mello Freire
29/12/2009 13:13
Cristina Laranja Ribas

não encontrei seu projeto.

queria poder comentar o que vc escreveu lá na sua página.
de qualquer forma.

leia antes citação antes deste comentário.

pode parecer aberta a ideia de falar sobre liberdade.
Mas o metodo é esse, simples, estebelecer jogos de caminhada, errar por terra do una, se tornar um 'errante'. Não é bixo grilo.
É o performer como 'andarilho'. como aquele que cria um desenho na geografia.
Assim, encontraremos diferentes pessoas, diferentes paisagens e colecionaremos o que a gente entende por liberdade e o que os outros entendem por liberdade. pode ser mapa, desenho, foto, vídeo, registro, ação, texto, contexto recorte, colagem, desenho no corpo. qq registro.

eu te pergunto, lembrando que este é um projeto para RESIDÊNCIA, até que ponto podemos fechar o que fazer em terra do una? será que devemos deixar muito claro o que faremos? ou deixar a ideia aberta para possibilidades não é a melhor opção? arte é um campo de possiveis. se sim, vamos abrir as possibilidades.

acho que a gente tem se confundido muito quando falamos: liberdade.
se tornou uma palavra as vezes sem muito sentido.
lutamos por uma liberdade, quando na verdade não sabemos o que fazer com ela. vivemos numa completa liberdade de artista enquanto de fato ela só nos atrapalha.
todo mundo é livre na arte para fazer o que bem entender.
mas de fato acho que não sabemos muito bem por onde começar...

resolvi começar por ela mesmo, a liberdade:
vc achou muito vago?
eu tendo a achar muito dificil mesmo.

quando se fala em sustentabilidade em arte.
isso interfere na liberdade do artista e muito, pq a sustentabilidade levanta uma série de questões que vão atrapalhar ou contribuir com o fazer do artista.

será que sustentabilidade é fazer uma arte com materiais reciclavéis?
ou será que o artista, hoje, tem que pensar em como produzir um meio de se sustentar através do seu trabalho?

existe mercado de arte? quais são? galerias? museus? casas de teatro?

o quanto nossa liberdade de artista não está sendo moldada por essas instituições?
arte e economia estão extremamente ligados e os artistas (todos nós) deveriamos acordar para isso.

este era o tema principal do edital para a residência em terra do una: e me parece que estou (eu e a carol) apontando para uma investigação mesmo que parca do que seria uma proposta de discussão de sustentabilidade.

e a liberdade é um aspecto da sustentabilidade.

a economia é outra.

mas uma influência a outra.

enfim,
beijo pra quem é de beijo.
abraço pra quem é de abraço.

bruno.

25. Bruno Farias de Mello Freire
29/12/2009 12:17
“Fazer arte é, ao mesmo tempo, mais fácil e mais difícil do que costumava ser. As mudanças radicais na arte e na sociedade que se iniciaram nos primeiros anos do século XX geraram um novo tipo de artista, cuja primeira obrigação era inventar ou descobrir uma nova identidade. [...] A liberdade ilimitada do artista moderno tem sido um fardo interminável. Se a arte pode ser qualquer coisa, por onde começar?”

(Calvin Tomkins)
26. monica soffiatti
28/12/2009 19:26
Oi Bruno, caminhar é também apalpar as intimidades mundo como disse sempre me intrigos a figura dos caminhantes de beira de estrada,os peregrinos sem grife.
27. marcio marques de carvalho
28/12/2009 11:51
alias, vc descobriu como vota? tenho entrado sempre no site pra ler os projetos, mas não encontrei informação nenhuma sobre como votar. No campo meus votos não aparece nada...
28. marcio marques de carvalho
28/12/2009 11:45
Super legal, mas acho que dois projetos iguais pode dividir os votos... tomara que consigam unir as forças nisso também
29. Flavia Paiva - Mecha em tramas
26/12/2009 11:41
Oi Bruno, enfim cheguei no seu projeto!
rsrsrs
Quantos Kilômetros irá caminhar?

O caminhar está na minha vida nos momentos que quero gritar...
Meu percurso: Barra-funda ao Ibirapuera.
ou Bertioga a Riviera.
No caminhar me sinto Livre!!!

Espero que encontre a sua Libertade!

E se um de vc´s não entrarem na Ecovila?
Irá caminhar sozinho?
30. Cristina Laranja Ribas
25/12/2009 14:30
Ola Bruno! Interessante proposta. A caminhada anterior me parece um bom momento para 'se preparar' para chegar em Terra UNA, como uma elaboracao da distancia.

Contudo, precisariamos entender o que voce pretende realizar EM Terra UNA, eh bastante importante!! Considerando que sera uma residencia coletiva, e que o lugar em si importa... e, comentando, claro, sua conversa com Shima que acompanhei na pagina dele e na sua sobre 'contexto'.

Acredito que entendo em parte o que voce propoe por 'liberdade' mas precisamos saber um pouco mais quais os vetores, os metodos, as formas de realizacao neste 'campo de liberdade'. Entao aproveito e pergunto: por que eh necessario falar de liberdade em relacao a criacao artistica?

abracos e sorte, Cristina Ribas
31. Ricardo Alvarenga
21/12/2009 16:08
cara, demais o seu projeto!

muito interessante a proposta do corpo em movimento, em sua condição bípede, movendo os ambientes, em seu referencial.

cartografia dos esforços, dos sentidos, do história, das memórias...

adoraria fazer junto...rsrs

pretende fazer também longas caminhadas na mata?

espero encontrá-lo pelas estradas e trilhas.

abraço,

ricardo
hominidae
32. Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
21/12/2009 14:09
Abençoado tempo !

Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.

Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...

Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...

Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.

"A passagem do vento em si só trás mudanças
mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"

Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.

Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !

Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
33. anilem beatriz lima
20/12/2009 14:23
"A liberdade é irmã da solidão."?! (Léa Waider)
34. paulo sérgio da silva [NAZARETH]
19/12/2009 18:56
Oh Bruno ! Bão? como disse as vezes fico fora do ar ... acho que qualquer dia desses antes do natal farei cerão nesse negocio para me interar de todos os projetos e comentarios , etc . Vi seu projeto e da Carolinha ... sim creio que nossos projetos embora distintos são parecidos. Como pensa extamente que poderiamos criar uma ponte/conexão SP - BH - LIBERDADE? Talvez possamos algo juntos ... seria muito bacana encontra-los em LIBERDADE ... sempre ocorre ações bacanas durante uma caminhada ... espero encotra-los na caminhada ... penso em ir devagar sem muita presa , devo chegar entre 7 a dez dias talvez 11 ... penso em conhecer a cidade e seu entorno ...

abraço forte e sorte grande

bruno
35. Shima
18/12/2009 11:47
Oi Bruno, depois daquela resposta fiquei um tempão a mais pensando nas suas perguntas e pensei em outras respostas que possam complementar o que foi registrado anteriormente.

Acredito que todo mundo queira trabalhar no Terra Una com as melhores intenções possíveis. Nesse aspecto, o Interações Florestais torna-se uma plataforma de grande interesse a todos os artistas, independente das ações que cada um propõe. Vai de nossa sensibilidade distribuir com mérito os nove votos que temos a dar para todos os participantes.

Além do que eu disse antes, também me interessa muito as relações humanas que se estabelecerão ali, num outro habitat, com outras pessoas, em outra velocidade, em outro ritmo, em outra frequência. É nesse âmbito que a mudança de contexto será tão importante para mim. Não e trata uma mera substituição de cenário, temos certeza disso.

Nasci e cresci numa chácara na zona norte de São Paulo, meus pais foram agricultores, herança cultural do meu avô e minha avó, e com o tempo fomos deixando as plantações de lado e migrando para a cidade. Não falei isso no projeto pois achei que seria "apelar" e diluir a força do projeto, que está além dos ambientes nas quais ela se manifesta.

Trabalhamos com performance, e sabemos como nossas ações ativam o espaço, confluindo energias, movimentando coisas, ares, mares, areias e pós.

Além dessa mudança de contexto, para mim será um resgate (reencontro) de valores que estão enraizados e ocultos em meu histórico, em minha vida. Ficar 30 dias longe de casa trabalhando não é pouca coisa. Em 30 dias acontecerá muita coisa. Haja performance, haja foto e vídeo. Haja energia para caminhar 7 dias!

Obrigado pelas provocações/dúvidas. Um forte abraço.
36. Bruno Freire
17/12/2009 22:01


A liberdade sem segurança não tende a causar menos infelicidade do que a segurança sem liberdade.


37. Bruno Freire
17/12/2009 22:00

Os humanos necessitam tanto da liberdade como da segurança - e o sacrifício de qualquer um deles causa sofrimento.
38. Bruno Freire
17/12/2009 21:56
felicidade significa Liberdade.
39. Bruno Freire
17/12/2009 21:54
Se nos agustiamos com o nosso futuro (em terra do una), é pq não fomos bom o suficiente em fazer amigos e influenciar pessoas, e pq falhamos em aprender com a arte da auto-expressão e de impressionar os outros. É isso que nos é dito o tempo todo (na sociedade, em cada comentário e em cada fracasso).

ver. BAUMAM, Z. 'Sociedade Individualizada' p. 65.
40. Shima
17/12/2009 15:58
Olá Bruno,
obrigado pela visita.

Tentando responder as suas questões:
1. Não é o meu projeto que envolve o "tempo x espaço x ação x contexto", mas a plataforma da performance, que eu utilizo como base de trabalho. Trabalhar com performance está anterior ao projeto do Terra Una. Sendo assim, concordo com você de que "Fico em dúvida se isso não é um caráter de toda obra de arte, independente de qual for a proposta. Mesmo quando um artista não pensa no contexto, ele sempre apresenta a obra num contexto, podemos até afirmar que uma obra é o próprio contexto, tempo, espaço e ação. Embora a sua primeira citação deixe isso bastante claro. "

Uma obra abstrata pode não falar sobre um tempo, um espaço, uma ação ou um contexto, e estar acima destes fatores. Mas uma performance sempre trará estes elementos. Esta frase que eu coloquei como citação é de um artista que defende um movimento chamado Contextualismo.

Meu intuito é exatamente este, deslocar o corpo da cidade para uma área rural, assim como diversos outros artistas também têm. Aliás, não teria sentido querer ir trabalhar no campo sem levar em conta a mudança do contexto. Nesse aspecto, não tive a intenção de ser diferente de ninguém, até por que não temos a oportunidade de olhar os projetos antes de serem publicados.

A produção em foto e vídeo visa a criação de OBRAS, e não de REGISTROS. Não quero criar performances como obras neste contexto do Terra Una, embora isso possa vir a acontecer. Neste aspecto, está aberto o que será realizado, mas quero estar no Terra Una para PRODUZIR obras, e não usar como uma espécie de laboratório de experimentação. A fase da experimentação eu realizei em outras instâncias e em outros momentos. A hora agora é de produzir objetivamente, construir diretamente, formatar fotografias e vídeos como situações finais e permanentes.

Sei o que quero construir no Terra Una, tenho uma planilha de metas e trabalho sobre projetos, e não pretendo fazer desta residência apenas uma experiência no mato. É por isso que eu propus a realizações de fotografias e vídeos, olhando o trabalho dos artistas da edição anterior, vi que diersos artistas da performance também mudaram seu foco de ação. No caso do Interações Florestais, acredito que o caráter documental seja mais importante (para mim) do que a execução de ações, e é por isso que optei por realizar fotos e vídeos.

Um abraço e sucesso!
41. Jean Sartief
16/12/2009 09:02
Oi Bruno,

cara, muito legal! Nossos projetos tem estruturas semelhantes, envolvem o vivenciar do percurso, da cartografia, da trajetória e muuuuuitas reflexões! Legal! Espero poder caminhar contigo! Abração!
42. melina resende - Olhos da mente
15/12/2009 20:22
No chão de asfalto
Ecos, um sapato
Pisa o silêncio caminhante noturno
Fúria de ter nas suas mãos dedos finos de alguém

A apertar, a beijar...
Vai caminhante
Antes do dia nascer
Vai caminhante
Antes da noite morrer
Vai
Luzes câmera
Canção que horas são
Sombra na esquina
Alguém, Maria

Sente a pulsar um amor muscoloso
Vai encontrar esta noite o amor
Sem pagar, sem falar, a sonhar

Vai caminhante...

No chão, vê folhas
Secas de jornal
Sombra na esquina
Alguém, Maria

Pisa o silêncio caminhante noturno
Foge do amor
Qua a noite lhe deu sem cobrar,
Sem falar, sem sonhar

Vai caminhante...

(mutantes)
43. wagner rossi
15/12/2009 19:38
Bruno, acho que já estamos trocando.

Então, mesmo se não topasse trocar ideias, já estaria fazendo sem perceber.
Mas percebo isso e topo sim!

Sua ideia é bacana e me parece consciente. Consciência!
Ontem defendi minha dissertação de mestrado e o texto que escrevi para ler durante a defesa falava de consciência, além de outras coisinhas.
Acho que caminhar pode favorecer a criação de mundos. Muitas vezes, quando caminho, entro em lugares loucos nesse labirinto que sou.
Espero que possamos nos divertir juntos nessas caminhadas. Ou quem sabe vc vem até aqui, caminhando?? Vc e o Paulo vão acabar se encontrando!

Grande abraço,
Wagner
44. Luanna Jimenes
14/12/2009 23:10
Oi Bruno, obrigada pelo comentário...
Experimentei a caminhada durante alguns anos... Desde viagens com caminhadas nas montanhas também quando voltava para a rotina paulistana caminhava várias horas por dia na cidade e teria muito o que dizer da experiência.
Sou projeto me impressionou por esse diáologo.
Um grande Abraço
45. Mariana Soares Leme
14/12/2009 02:45
Oi Bruno,

Primeiro agradeço a 'visita' ao meu projeto

Então, pelo que endendi da pergunta que me fez, vc teve uma leitura muito clara de que meu trabalho com pintura corporal está relacionado com performance, mas até o momento não. Primeiro a pintura corporal surgiu pra mim atraves do teatro, estava trabalhando na produção de um espetáculo onde era necessário pintar o corpo de uma das atrizes para a cena final, daí então comecei a fazer varias maquiagens para espetáculos teatrais, mas para mim fazia muito mais sentido pensar que eu pintava um rosto do que maquiava um, comecei a fazer umas pinturas em meu proprio rosto uma vez que em desenho eu fazia autorretratos, e assim fui investigado...até que comecei a fazer ensaios fotogaficos dessas pinturas, então chamava alguém para servir de modelo e um fotografo para registrar, em nenhum momento do trabalho penso na ação, tudo rolou como um ensaio fotografico mesmo. Mas realmente há um desejo de que em algum momento a ação faça parte do trabalho, bem possível que essa vontade venha por conta de eu ter sido atriz por um tempo, tive uma experiência de seis anos com teatro e algumas vezes certas coisas do passado vem à tona.
Fico contente que tenha levantado essa questão, pq ela é tbm uma das minhas questões,rs, pelo que vejo do seu curriculo ninguém melhor para argumentar sobre a linguagem performática. Não sei se consegui esclarecer, mas se precisar trocaremos mais msgs.

Enorme abraço!
46. wagner rossi
13/12/2009 21:37
Bruno, vi seu comentário na pagina do Shima e acabei chegando no seu projeto, que ainda não havia lido.
A caminhada como pratica diária de arte, de fazer arte, de pensar arte, me parece uma proposição meditativa.
Fico me perguntando se, além da caminhada, você necessáriamente teria que fazer mais alguma coisa. Acho que em Liberdade, agir com liberdade nas suas caminhadas pode ser interessante.
Todo dia você sai e caminha, caminha, camoinha, camainha...
Isso ja diz muito e não sei se precisamos de teoria pra compreender esse processo.
Queria caminhar com você um dia, se vc me convidar!???

Sorte!!!!
47. Bruno Freire
13/12/2009 19:47
Oi Caroline,
obrigado pela pergunta.

vc diz: como pensar nela já estando preso a uma rota e um tempo?

A hipótese deste trabalho é que será necessário traçar algumas rotas, parâmetros e regras prévias para se desenvolver, mesmo que elas se modifiquem durante o caminho.
Senão se torna uma 'imposição' da falsa democracia da liberdade.
Entre beber coca cola ou fanta uva.
Será que a gente está vivendo com liberdade?

enfim, poderia falar mais.
mas vou me ater a essas poucas palavras.

obrigado de novo.
bruno
48. caroline valansi
11/12/2009 14:56
esse projeto me chamou atençao pelo foco na liberdade. como pensar nela já estando preso a uma rota e um tempo?
gostei demais do video.boa sorte pra dupla!