FILTRO

De: Marina Pachecco

Ação, RJ

O Projeto

Cheiro de folhas apodrecendo, cheiro de chuva que vem, cabelos quebradiços, cabelos escorridos, cabelos volumosos, entradas frouxas, entradas justas, portas que não fecham de jeito nenhum cobertas de pétalas úmidas...

Filtro, o estudo de como um corpo, talhado em informações urbanas, se comporta ao se transpor a outros solos, outras terras.
Deslocar as texturas das pedras, das folhas, da lama, da água, conduzindo-as para a própria pesquisa de movimento. O corpo entendido como uma ferramenta que avança por acelerações, rupturas, ondulações, derramamentos, diminuições de velocidade, se harmonizando aos ciclos naturais, desmembrando, constantemente, uma nova roupagem.

Aproximação com as águas, com os movimentos das águas, com a força das águas. Uma reverência aos ancestrais, a Mãe Selvagem, e toda a construção desse caminho de volta, em nossos corpos.

Pesquisa de apropriação das texturas in natura para alimentar nosso movimento.

A ação acontecerá entre solo e água, entre poética e técnica, entre fluxo e precisão. Uma re-ligação com o natural, “Río Abajo Río”, nossos próprios terrenos úmidos de água nascente.

Interação com o Ponto de Cultura

Oficina corporal para crianças

Esta oficina visa estabelecer uma relação de troca entre os performers / oficineiros e as crianças da cidade de Liberdade, utilizando metodologicamente materiais da natureza de diferentes texturas, com o objetivo proporcionar um novo olhar acerca dos elementos naturais do seu cotidiano.

Metodologia:

Percepção e sensibilidade

Observação e interação visual com o espaço;
Inibição de alguns sentidos;
Estimular a percepção das texturas através de alguns materiais da natureza.
Utilização e objetos e mídias sonoras;

2 – O corpo singular

A partir do conceito de conscientização corporal, vamos focar neste módulo exercícios que proporcionem às crianças a aproximação de seu próprio corpo.

Exercícios de respiração.
Corpo segmentado.
Totalidade corporal.
Contação de história de mitos das águas e das florestas.

3 – O outro e o meio
Com a proposta final de sedimentar todas as vivências anteriores, queremos levá-las ao encontro com o outro para assim construírem juntos outras possibilidades de mover.

Observar o outro.
Jogos de interação.
Exercícios de contato.
Roda de improvisação e som.

Mais informações em

Sobre o artista

Marina Pachecco, bailarina de Dança Contemporânea formada pela Escola de Dança Angel Vianna. Graduada em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá e atualmente se especializa em Dança, Criação e Imagem na UFRJ. Desde 2004 promove trabalhos em parceria com outros artistas, investigando o atravessamento das linguagens de performance, vídeoarte/dança.

Integrou o projeto "Ateliê Coreográfico II", sob direção artística de Regina Miranda, no Centro Coreográfico da cidade do Rio de Janeiro pesquisando sobre intervenção urbana e situacionismo, partindo da prática do jogo e apologia da deriva, denominada “Onde?”.

Realizou em setembro de 2009 duas exposições: “Parte” - fotografia cênica no SESC Tijuca e “Por um lugar para viver” exposição coletiva no espaço Barracão Maravilha – Arte Contemporânea

É integrante do Coletivo Pague Leve – Artistas Associados, que atua há 2 anos no circuito alternativo das artes visuais, com performances e intervenção relacional.

Comentários

1. Wagner Rossi Campos
13/01/2010 10:01
Marina,

As trocas aconteceram durante esse processo e continuarão....

Obrigado pelo seu voto!
2. Rosane Felix
05/01/2010 06:15
poético truncado... sorte.
3. Mayra Martins - colher chuva
04/01/2010 15:40
ola, lindo seu projeto. adorei a forma poética como escreve. interessante o uso da palavra 'filtro', o que nos atravessa? o corpo significado pelos atravessamentos dos encontros... e trabalhar com crianças, muito interessante, esse corpo aberto ao novo, que deixa o fora fazer parte... boa sorte
4. Flavia de Paiva Coelho
04/01/2010 10:08
é dificil fazer a escolha no ato de votar, com tantos projetos e possibilidades infinitas...
Aqui é só o começo de novos rumos.


flaviapaiva007@hotmail.com

Sorte!
5. Claudia Hersz
31/12/2009 14:06
Muito legal essa sua proposta tão cinestésica, de cheiros que são cores, cores que são movimentos...
e gosto do corpo no trabalho.

( se vc tiver vontade, dê uma visitada nesse meu trabalho sonoro, baseado num texto do merleau-ponty sobre o corpo:
http://www.bienalmercosul.art.br/7bienalmercosul/pt-br/claudia-hersz )

abraços e feliz 2010!
6. Monica soffiatti (terragrafia)
31/12/2009 13:59
Lindas imagens!
Sua descriçao me
lembrou haikais
e textos taoistas.
é bacana a ideia de
integrar imagem e movimento.
7. wagner rossi
30/12/2009 17:01
Marina,

acabei de ver OPAVIVARÁ e os videos no youtube... Obrigado pelas sugestões!

Gosto muito dessa ideia de venda de performances. Isso questiona o valor dos gestos, ações, o mercado da arte, o lugar do corpo e mais um tanto de outras coisas. Em galeria a situação deve ser bem diferente né?

Que bom ter gostado da minha ideia!Te agradeço também pelo comentário super caloroso.

Seu projeto para terrauna é muito bacana e, pelo que li, trata-se de algo que acontece ENTRE. Entre o urbano e o rural, o dentro e o fora, a agua e a terra, o real e o imaginário. Talvez, por isso, não tenha conseguido perceber na prática quais serão suas ações.
No ponto de cultura a proposta é bem clara. Mas o projeto de ações em terrauna não esclarece bem as coisas.
Entendo perfeitamente o que quer, mas o que vc pode dizer sobre as ações??? Quais serão?
Para ser sincero, aponto isso mais como uma possibilidade de clareza sobre o que vc escreveu. Seu desejo é bem claro, mas não dito..fica nas ENTRElinhas...

Bjs e sucesso pra vc!



8. ricardo alvarenga
23/12/2009 10:30
lindas fotos.
me interesso bastante pelo trânsito entre as áreas; o hibridismo.
também trabalho com dança, embora atualmente tenho estado mais efetivamente no campo da performance.

desejo sorte,
abraço,
ricardo
hominidae
9. Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
21/12/2009 14:05
Abençoado tempo !

Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.

Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...

Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...

Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.

"A passagem do vento em si só trás mudanças
mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"

Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.

Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !

Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
10. anilem beatriz lima
20/12/2009 14:25
A liberdade faz parte da natureza humana?