Aion e Chronos - Diálogos imersivos sobre o tempo
De: Amanda Freitas
O Projeto
Que fazem os seres quando reunem-se no tempo a intencionar um só pensamento elevado e conectados a um lugar de poder?Que efeito pode esta corrente (in)fluir no mundo e no nosso reapossamento do mesmo?Que rituais evocam ancestrais a compartilhar este trabalho no nível sutil?Que força nasce da repetição?Cada passo, cada pulso, tambor, cada fogueira, cada história contada quantas vezes contada faz memória?Pode um tempo de viver conter uma existência?Que ciclos cabem em um mês, quanto existir cabe no tempo?
Consiste em uma imersão temporal compartilhada à distância conectada por 2 pontos complementares.Preto e Branco.Orgânico e Urbano.Chronos e Aion.Mecânico e fluido.Um ponto artista situado no tempo/espaço TerraUna, outro ponto artista no espaço urbano de Vitória, origem.A conexão acontecerá por 12 ações análogas simultâneas pré-marcadas, através de 2 relógios sincronizados, Uma trajetória é descrita a formar um ciclo de vivências poéticas.As ações são inspiradas em rituais xamânicos resignificados.
As ações são efêmeras com registros de vídeo, foto e culminam na construção de um espaço circular dividido em 12 pontos conectados aos rituais a compor uma cartografia temporal.
Interação com o Ponto de Cultura
Objetiva criar diálogos possíveis com as noções envolvidas no projeto.Onde o ser é catalisador quântico e influi energeticamente ao formar corrente e intencionar ações conectando elementos da vida e da arte que sejam disparadoras de processos de ativação dos corpos em experienciar para e com o mundo.
A principio são propostos 4 encontros, 1 a cada semana.As vivências partirão de dispositivos de sensibilização ativados por meio de vídeos e criação de rodas de diálogos por meio de práticas artísticas relacionadas à idéia de “tornar a vida poética”. Significar através de ações simples, ritualizar como potencializar.
1°: Apresentação e reflexão acerca dos desequilíbrios globais e possíveis relações de resgates de conexões através da prática tribal de oferta de dons.(Magia pessoal).
2°: Dinâmicas de troca e partilha.Possível preparo de algum alimento.(A gratidão manifesta).
3°: Vivências relacionadas a palavras, trocas e outros elementos que possam ser recolhidos no local.(Compartilhamentos)
4°: Muro branco infinito.Colocar-se diante de um vazio representativo e projetar nele intenções, afetos, anseios para o mundo, para o futuro, para a vida...(Agradecimentos e desejos).
Sobre o artista
Amanda Freitas, brasileira, nascida em 19/11/85.
Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo.
"O artista como operador de gestos" (Barthes).
Atua em um duo de artistas denominado ÉRA.Trajetória em dupla iniciada em 2006, dialogando com linguagens de performance e intervenções em espaço urbanos e não-urbanos. A pesquisa do grupo propõe-se a ações para “tornar poético”, e conecta elementos da vida e da arte que sejam disparadoras de processos de ativação dos corpos que se colocam em vias de experimentação e experienciação do mundo.
Ações:
Reconexão, Intervenção Urbana, Galeria Homero Massena, Vitória, 2006.
Memória Sonora, Intervenção, UFES e Av. Fernando Ferrari, Vitória, 2007.
Traços de Ausência, Intervenção, Multiplicidade 2007, Vitória.
É/é, Performance, Praia de Ponta da Fruta (Vila Velha) e UFES.
Fogo Sagrado, Performance, Fábrica 747, Vitória, 2007.
Espiral Oracular, Intervenção, Serra do Caparaó, 2008.
"Morre-se", Performance, Viana, 2009.
Passagem, Performance, Vitória, 2009
Comentários
mas em tres pontos diferentes..
meio q numa cidade, Tera Una.. praia..
algo assim..
Amanda..e se nesse tempo voce pudesse trocard lugar com esta pessoa em Es?
Quem sabe?!
:)
e o que dela pode ser percebido, dito, sentido.
Acho excelente esse tratamento do tempo sincrônico em 2 lugares geografica-cultural-ritmicamente diversos e distantes.
E também acho muito potente a polaridade que se cria no duo.
mas fico pensando em como seria interessante a possibilidade de, em algum momento, isso ser em 3 como sugere o Shima: Ter uma terceira "entidade" (ou terceiras), também em Terra Una, vivenciando as mesmas propostas do duo.
Abraços
Claudia
Li cada projeto com atenção e consideração pelo trabalho de cada um. Creio que os projetos falam e mostram muito sobre indivíduos e coletividades e trajetórias e processos humanos. Independente de circuitos de arte pré-estabelecidos, discursos ensimesmados e palavras enfeitadas que vemos por aí em toda parte, dentro e fora de nós mesmos. Gosto de buscar o que há de mais sincero em cada um. É belo trocar olhares, referências, comentários, contemplar diferenças e semelhanças.E aceitar tudo com parte. Nós somos um. É linda a proposta e a vivência da transparência em um edital, genuíno e enriquecedor.
As questões levantadas, os anseios, as trocas, as críticas construtivas, o “colocar-se no lugar do outro”, tudo isso reverbera, ecoa no mundo, como aprendizado.Isso já é parte essencial do processo e desta proposta, eu creio; e acredito sobretudo na sutileza e no abstrato, na potência do gesto e da intenção criadora.no microcosmos e no macrocosmos, e que tudo é parte integrada de um mesmo. Senão que importaria produzir arte e objetos de arte?
Gostaria de desejar sinceramente boa sorte a todos que se olharam brevemente por este ponto de encontro. Muita luz no caminho de cada um.
Desculpe a demora de resposta e interação E a colocação coletiva, mas foi a forma que achei de contemplar a todos. Final de ano, fim de ciclos... e estou em uma localidade rural na região do Caparaó onde atualmente habita minha família, a conexão aqui é inconstante.
A região é fantástica, cheia de possibilidades.
Vejo semelhanças entre os dois ambientes, e tenho redirecionado minhas atuações à espaços e relações às quais gosto de referir por orgânicas simplesmente. Sutilezas.
Veja mais sobre o local em:
http://picasaweb.google.com/poeticaera/ImersaoCaparao
Gratidão a todos, simplesmente.
Que o compartilhar prossiga, e ecoe.
http://picasaweb.google.com/poeticaera
...
Tem coisas que agente lê, ouve, diz e se ouve dizendo
que batem fundo e fazem eco infinito de lembrança.
Longe, longínqua...
Atravessam barreiras de esquecimento
para que nos cheguem vagamente.
Nada disso que ouço e falo me pertence.
Nenhum conhecimento.
Minha fala é repetição, um hábito incutido.
para que não se apague da lembrança o ensinamento.
A tradição oral deu lugar a outros aparelhos que falam e tagarelam.
Mas o excesso faz esvaziar e faz perder.
É o nada do tudo.
O grande vazio que há quando tanto há
que se perde o sentido e o valor.
Há de se perceber que pouco ou nada permanece
por seus suportes perecíveis.
O conhecimento sobrevive entranhado, assimilado,
codificado em energia:
Cores, notas musicais e vibrações ecos de lembranças
genéticas da vida, nas realizações que prosseguem
e em tudo que irradiamos e que prossegue se desdobrando
em outras vidas e seres.
Energia quando pertence é sabedoria.
Pertencer é fazer parte de infinitas conexões.
Pertencer nada tem a ver com posse.
Nada me pertence.
Eu pertenço a tudo.
A artista que representará o segundo ponto, no espaço urbano é Rubiane Maia, amiga parceira com a qual realizo ações compartilhadas desde 2006. A relação proposta é a que se propõe ideal por quaisquer dois ou mais seres. Encontros de potência. Nas fotos aparecemos em duo. A princípio o projeto havia sido escrito em dupla, no entanto teve de ser adaptado por motivos implícitos.
A tentativa é de criar conexões entre opostos, e a construção de um processo ciclo de tempo, que finaliza em uma construção circular com 12 pontos, (como um relógio mesmo, para simplificar) contemplando diversas questões através de ações ritualísticas sutis, espelhadas, duplificadas, simultâneas no espaço natural e no espaço urbano.Dois relógios serão sincronizados para isso.
Foram elaboradas 12 ações, que não puderam ser descritas por questão de espaço, e porque não estão fechadas, embora possuam um norte.
Foram pensadas a partir da apropriação e resignificação de rituais já existentes. Porque cremos na potência do que se repete, mas modifica, em espiral, porque invocamos um aspecto de memórias ancestrais coletivas. E das idéias como não sendo passíveis de pertencimento enquanto posse, mas pertencimento enquanto “fazer parte”. Ritualizar seria presentificar e potencializar uma intenção.
Em algumas das ações propostas busca-se a interação com o outro presente próximo participante, com indivíduos fora de terra una (inclusive pelas ações realizadas no segundo ponto, fora de Terra Una), e com os habitantes de região, inclusive no Ponto de Cultura. Pensamos que talvez alguns desses rituais esbarrem em questões ou elementos já referidas por outros trabalhos, e que isto possam se integrar.
Por exemplo, sugere-se a doação e a troca como forma de interação, em um ritual chamado potlatch, cerimônia de doação, que talvez seja a origem mais genuína da idéia de presentear mas com significado profundo e real.
O rituais foram definidos em uma estrutura que forma um ciclo, com nascimento desenvolvimento, troca e disseminação, outros, morte, renascimento, enfim...
Foram definidas assim as referências abrangentes:
Ritual de purificação, Roda cura, Oráculo arco iris, Espaço sagrado, Sinais de fumaça, Cerimônia de doação (potlatch), Dimensão das histórias e dos sonhos, Bastão-que-fala, Povo-em-pé (árvores), Pow-wow (partilha), Povo-de-pedra, A Morte do xamã.
Veja mais em: Cartas do Caminho sagrado de Jamie Sans, que é o livro que temos por referência direta, entre outros.
No caso, por caminhar em terreno desconhecido, a princípio o Ponto de Cultura foi pensado em temáticas e dinâmicas que estão relacionadas aos rituais a serem realizados, mas igualmente podem ser independentes das ações. Pensamos num primeiro momento de abordagem e integração, dinâmicas de troca e interação que possa criar diálogo real, com linguagem simples e ampla, e o encerramento a construção imagética coletiva sob o título: “muro branco inifinto”
Espero ter respondido suas questões, embora não possa ser mais específica, e me perdoe se me alonguei demais.
Gratidão pelo interesse.
Um sorriso sincero.
12 pontos. 1+2=3. 3 Equilíbrio essencial.
Acredito muito neste trabalho que você desenvolve, neste viés poético.
O encontro é grupal, a transformação é individual, e a transformação do indivíduo inevitavelmente afeta o coletivo, e assim sucessivamente.
Belíssima apresentação do projeto e muito potente a transformação através da experiência vivida, a arte vivida, a arte NA vida. Muitos elementos para refletir, vivenciar, sentir. Sentir na alma a transformação pela arte.
Espero que seu trabalho seja contemplado.
Um abraço e Sucesso!
Vi que vc citou Barthes.
Também me alimento muito dele.
Acho teu projeto bem interessante no que ele propõe de diálogos e na questão do enfoque de dois pontos complementares.
Ir de um polo à outro e encontrar-se no centro: o símbolo do infinito nos ensina isso.
Amei a foto nº 2.
Aproveito para chamar atenção para uma falha no meu projeto(livrozero) que ao ser publicado dei por falta das frases finais.
Se te interessar aqui vai:
"Na bagagem quase zero: papel e tecido em branco, cola branca, livros de cabeceira não brancos, carvão negro, pastéis de desenho.
A vivência na arte me ensina: ela é um meio efetivo de transformação. Unir sabiamente arte e ecologia. Isto é um sim, pretendo aprender e compartilhar."
Abraço Virginia
instigante
gnostico
sucesso
qual teu email
Gostei da idéia e fiquei curioso, parabéns. Paz e artes Pra tú. Xêro.
achei isso interessante...
e como se conectará aos outros residentes...
Ritos... o que acontece no presente... talvez o que não dá para remeditar e sim meditar... rsrsrs
Vcs sabem que eu boto muita fé em vcs né...
Bjs
nossos projetos parecem haver uma conexão
na teoria parece difícil explicar mas na pratica transcende
plenitude pra ti!
Abraço
mel

