Projetos de terra & tempo

De: Mayana Redin

Ação, RS

O Projeto

Palavras, rochas e tempo.Os termos servem de guia para um percurso de ações "geoartísticas" que proponho para Terra Una.Interessada na experiência da terra,da paisagem,e da poesia proponho uma deriva sensível sobre as questões do espaço, do tempo e da palavra. Partindo de três ações, espero encontrar nessa entrelinha dos acontecimentos mais ocorrências que desenrolem um trabalho artístico.1.Uma coleção de desenhos e fotos de montanhas coletados e projetados em uma tela feita de “pedras roladas”.Trago coleções de desenhos e fotos das montanhas que descobrir no deslocamento.2.Com um grande papel vegetal ou manteiga, eu modelo as pedras que encontro no caminho. O papel toma a forma e cria as dobras do relevo. Retiro o papel das pedras. Chamo isso de "Ausência de pedra". Registro a ação. A idéia é ampliar para o circuito da paisagem da Serra da Mantiqueira.3.O tempo de uma montanha:estar de frente à uma montanha e esculpi-la em pedra ou modelá-la em barro.Registrar esse tempo em vídeo.
O projeto se baseia em criar experiências imersivas numa sensação desse "tempo geoartístico",criando, assim, um encontro com a ficção.

Interação com o Ponto de Cultura

A interação com a comunidade é essencial para se conhecer as “falas” da Serra da Mantiqueira. A prática do deslocamento, andar à esmo, ao acaso, com olhar e sentidos atentos àquilo que possa aparecer: nomes, categorias, histórias, geografias, classificações, caracterizações, formulários, diagnósticos, lendas, contos, fronteiras, cartografias... elementos que fazem um lugar “existir” no mundo das palavras.Nas seis horas do ponto de cultura, pretendo buscar a interação com a comunidade para descobrir como se formam os nomes da serra, assim como se formam as montanhas. Nesse cenário, a necessidade será a de buscar conhecer aquilo que tem a potência de ser subvertido, rachado, fissurado,como diria Smithson: "Palavras e rochas contém uma linguagem que segue a sintaxe de fendas e rupturas. Olhe para qualquer palavra por bastante tempo e voce vai vê-la se abrir em uma série de falhas(...)" Já se é possível imaginar quanta poesia existe numa serra que significa,em Tupi,“montanha que chora”.Conhecer a geologia de um lugar, estar no tempo da terra. Também achar as palavras da terra. As duas estruturam o mundo. Mas ambas podem ser rachadas para se descobrir o tempo e o movimento do mundo.

Mais informações em www.zuinn.com.br/mayaredin

Sobre o artista

-Bacharel em Comunicação Social pela Unisinos/RS.
-Graduação em Artes Visuais (7º semestre)-UFRGS.
-Graduação em Artes Plásticas (6º semestre) – Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2008/2 - 2009/1).
-Aluna especial do Mestrado em Comunicação Social – Mídias e Processos Audiovisuais na Unsinos. 2008/1.
-Estágio pela Fundação Bienal do Mercosul na 5ª Bienal de Arte do Mercosul como mediadora. (outubro a dezembro/2005).
-Último vínculo – ZOUK Editora e Galeria de Arte Contemporânea. (03/2006 – 12/2007).
- Artigo publicado: “Audiovisualidade como ready-made”, pela linha de pesquisa: Mídias e Processos Audiuovisuais do Mestrado em Comunicação Social da Unisinos. (2008)
-Festival Imagem-Movimento – Macapá, Mostra Louva-Deus, Porto Alegre e Mostra Coletiva no Gazômetro. Vídeos: “Em meio organizado” e “Um ar embaraçado”- 2006/2
-Seleção do vídeo “Em Meio Organizado” no festival Se Repete Como Farsa do Cine Falcatrua, Vitória/ES – 2006//2
-Curta-metragem “Um homem ao redor”. Vídeo-digital, 10min. 2007/1. Mostra na 22ª Feira do Livro de São Leopoldo (2007/2) e 1ª Feira do Livro de Jaguariúna, SP (2008/01)
-Exposição Individual “Fugas",Galeria Clébio Sória, Porto Alegre.

Comentários

1. raquel versieux
13/01/2010 01:44
Olá Mayana,

obrigada pelo comentário na página do meu projeto. Vejo sim uma relação bem próxima entre nossos campos de pesquisa, a afinidade com as ciências da terra, o corpo-pedra e inclusive técnicas empregadas. Achei lindas suas imagens de "ausência de pedra", de uma sensibilidade enorme que chega a silenciar os desenhos. Tenho enfrentado questionamentos parecidos de como abordar e/ou ladear linguagens diferentes, reconhecer o que fala mais alto e o que eu quero que fale mais alto.

Vamos aproveitar esse espaço de divulgação e encontro de pares, mesmo já tendo passado as eleições dos projetos, afinal esse é o grande lance dessa concorrência aberta, o contato e a troca entre os participantes.

Para mantermos contato, por favor: raquel.raquel@gmail.com

grande abraço
2. Ana Freitas (morfologia da natureza #150)
05/01/2010 18:29
Oi, Mayana!

Obrigada pelo seu comentário na minha página!
Realmente o que proponho tem muito de processo. Interessante sua observação, pois eu não havia relacionado isto neste projeto específico, mas observando melhor posso ver o processo como algo sempre presente em meus trabalhos!

Boa sorte!
3. Isabel Tornaghi - I CHING, caminho para uma ecologia sutil (http://memorialit.ning,com)
05/01/2010 06:47
estar montanha!
o tempo, outro tempo!
viva, vivamos outros tempos!
linda proposta, parabéns, boas sortes. bjabç, béu
4. Rosane Felix
05/01/2010 03:41
as ausências-presentes. sorte.
5. BARBARA RODRIGUES
04/01/2010 17:50
olá Mayana,

obrigada por suas observações sobre o projeto!

O material escrito que tenho está no site, na seção textos. Ainda me debato na duvida de por as descrições das performances juntamente com as imagens, já as coloquei e tirei várias vezes...fico entre o ser apenas descritivo e acabar por prender a ideia que as pessoas podem fazer sozinhas delas...sei lá...

gostei do seu projeto! O resultado da tua ação seria o registro de uma escultura?

abraços
6. Flavia de Paiva Coelho
04/01/2010 10:10
é dificil fazer a escolha no ato de votar, com tantos projetos e possibilidades infinitas...
Aqui é só o começo de novos rumos.


flaviapaiva007@hotmail.com

Sorte!
7. denilson
01/01/2010 09:12
muito bom sua ideia e projeto
tenho apreço por ela
quero teu email
8. Monica soffiatti (terragrafia)
31/12/2009 14:28
Gostei da sua proposta.

Uma história curiosa sobre montanhas e nomes.
A Nova Zelandia teve todas as suas Montanhas rebatizadas com nome dos nobres Ingleses
e os Maoris(aborigenes)fizeram um grande movimento pelo resgate de suas raizes culturais e conseguiram nos anos 70 o direito de ter os nomes originais escritos na sinalização,alias, muito mais interessantes e poeticos. Hoje lá em todas as Montanhas tem 2 nomes.
9. Claudia Hersz
28/12/2009 19:51
Lindo esse registro das ausências!
São as não coisas...

muito legal!
10. Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
21/12/2009 13:36
Abençoado tempo !

Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.

Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...

Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...

Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.

"A passagem do vento em si só trás mudanças
mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"

Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.

Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !

Jaiva Dharma (Josiane Fontana)
11. anilem beatriz lima
20/12/2009 15:28
Será nosso conceito de liberdade ilusório?
12. Mayana Redin
18/12/2009 13:17
Oi Tiago, oi Mariana,

legal ver o comentário de voces sobre o projeto por aqui.
eu gosto da idéia do tempo não só antropomorfizado, mas sim inerente ao universo, ao surgimento da vida. quando smithson faz alusão à entropia no seu trabalho, percebemos um mundo material que está muito além dos poucos anos que conseguimos ver adiante nessa matéria. a arte também tem algo dessa entropia: troca de experiências como troca de energia...a matéria que se degrada com o tempo necessaria para nascer de uma outra forma. é uma questão da vida...

dentro disso, existem as pessoas e suas histórias, e os nomes que damos para entender tudo isso. acho bonito ver as maneiras que criamos pra entender e falar do mundo. por isso, as palavras...
13. Mariana Soares Leme
17/12/2009 23:34
Oi Mayana,

Gostei dos seus desenhos, me identifiquei com eles, moro numa cidade com um serra linda a Serra do Japi,
Penso que as rochas e as pedras tem uma vida muito diferente da nossa, sua evolução só pode ser percebida por nós depois de muitos anos, nós vivemos num tempo muito diferente ao delas. Gosto da ação de captar essas formas.
Achei original sua proposta de interação já que vc se coloca no lugar de quem tem a aprender, realmente temos muito a aprender com os moradores da ecovila

um beijo
14. Tiago Mesquita
17/12/2009 02:06
Maravilhoso projeto.

O admirável da arte é a infinidade de rumos que toma em suas infindáveis expressões. Quanta singeleza na proposta.

Salve, salve toda poética, liberdade de criar com naturalidade. Aproveitamento da forma, expansão do conteúdo. É como se aprofundar no lugar e extrapolar o tempo.


[solplanetarioamarelo@hotmail.com]