I CHING - um caminho de ecologia sutil
De: Isabel Tornaghi
O Projeto
A pesquisa consiste em mergulhar no ciclo sensório-motor, ou seja na relação entre percepção e ação, como construção de entendimento do mundo. O foco volta-se para a relação do corpo na natureza - reconhecendo a premissa de que tudo está interligado e cada corpo-microcosmo é de fato constituinte de outro corpo-macrocosmo (e vice-versa, até o imensurável).
Para formar uma estrutura, e dar forma ao discurso que traduz essa busca de entendimento, define-se como viés de observação destas relações as dinâmicas de mutação como descritas no livro das mutações chinês, o I CHING (na versão de Alayde Mutzenbecher).
A dinâmica básica é simples: elaborar um questionamento, jogar o I CHING, lê-lo e dança-lo. Usando informações como a anatomia e fisiologia, levantando as afinidades e metáforas inerentes aos padrões cíclicos que se pode observar nos micro assim como nos macrocosmos. Fomentando essa escuta, é imprescindível ao trabalho a relação direta com a natureza (e tendo a menor interferência urbana o possível).
Compartilhar essa experiência, buscar caminhos para articular este 'traduzir' de subjetividades na coletividade, é um dos desafios propostos, abrindo toda pesquisa à interação.
Interação com o Ponto de Cultura
O livro das mutações começou a ser escrito por sábios chineses há mais de cinco mil anos, e o último grande sábio a escrever Haicais foi Confúcio. Esses poemas são antes de tudo um tratado filosófico, onde o aspecto oracular não é um ato divinatório alheio à realidade palpável – ao contrário, é na plena observação, cuidadosa, da vida e suas dinâmicas que se enxerga o oculto e se entra em contato com o sutil.
Estabelecido que o I CHING é acima de tudo um instrumento de reflexão sobre as dinâmicas de mutação atuantes em uma dada situação presente, essa mesma postura de observação meditativa é aplicada à pesquisa corporal que observa as dinâmicas de mutação do microcosmos interior à pele do indivíduo e estabelece sua relação com o ambiente externo à sua pele - igualmente perpassados por essa dinâmica presente.
Há uma relação direta desses estados de ser/estar em harmonia & atitude de positividade ativa com a sabedoria da ecologia sutil, a integração à natureza, que se comprova pela sua eficiência e eficácia. Estes conhecimentos são tácitos e sutís, assim como a transmissão deles. O sistema consiste em buscar as conexões que emergem através da interlocução com o conhecimento racional.
Sobre o artista
Dançando desde pequena para ser menos atolada, tive a oportunidade de estudar com pessoas maravilhosas em lugares especiais como a Faculdade e Escola Angel Vianna, o Laban-Bartenieff Institute of Movement Research, o Moving On Center, a Comunicação das Artes do Corpo...
Minha prática corpóreo-criativa trata a pesquisa pelos âmbitos internos do ciclo sensório-(percepto)-motor que é a relação do ser (eu) com seu meio (ambiente). É na experimentação com foco na escuta do corpo e seus vários padrões de energia, discernidos ora por análises Labanianas da relação com os Esforços e/ou o Espaço, ora percebidos pelo viés da anatomia vivenciada - uma experimentação anatômico-fisicológica que estabelece esse ciclo neuro-motor na sua plena forma; em que a atenção leva à sensação, que leva à percepção, que leva à reflexão, que leva à curiosidade, que leva à atenção, que leva à sensação, que leva à percepção... Com extrema fé na importância deste processo, cognitivo, de construção de conhecimento é que me dedico a melhorar a vida.
É pela felicidade que essa prática de vida me proporciona que tenho a certeza do valor criativo que envolve o meu ser nesse mundo - e me dá ânimo para as mãos à obra!
Comentários
Um abraço!
I ching e dança....o movimento do mundo dentro da gente, quero brincar disso!
Suerte pra uste.
um abraço mineiro, hasta o Terra Una.
Daniel
provisoriocorpo@hotmail.com
estarei no rio semana que vem;
abraço e luzes.
Na verdade, a ciência e os pensamentos orientais se encontraram:é tudo carbono, oxigênio, nitrogênio...OM...A não percepção disso é que cria, além das desigualdades sociais, a grande destruição do planeta.
Interessante a proposta de dançar não a partir de som, e sim de texto.
Buena dicha!
Aqui é só o começo de novos rumos.
Deixo aqui meu contato para possiveis trocas
flaviapaiva007@hotmail.com
Sorte!
precisando de alguem pra registrar... pode contar comigo!
beijo
beijo,
hominidae
Escrevo a todos trazendo uma reflexão para inspirar nossas escolhas sobre as propostas mais indicadas para este tempo de trabalho nas montanhas de Liberdade.
Muitas são as oferendas de beleza, arte, encantamento.. e há uma motivação sincera para compartilharmos (além deste espaço virtual) um encontro em Terra Una...
Acredito que a oportunidade de participar de um projeto como este para cada artista inscrito é muito especial... mas digo que além desta beleza há uma ainda maior que é a de muitas crianças, jovens, adultos e os ainda "mais adultos"... em receber em sua cidade (de 6.000 habitantes ! que não tem biblioteca pública, além das existentes nas escolas, que não tem sala de cinema, teatro ou qualquer outro espaço onde se possa manifestar a arte... em todos os seus aspectos... ) um centro cultural...
Para que a comunidade sinta-se motivada a chegar até o Ponto de Cultura o convite para as vivências precisa ser claro e ao meu ver que tenha (o projeto) continuidade após os meses do Interações Florestais.
"A passagem do vento em si só trás mudanças
mas se uma semente cai em solo fértil....
quanta diferença !"
Se possível, gostaría de saber como cada participante visualiza a continuidade de seu projeto no Ponto de Cultura.
Ainda estou lendo os projetos...
muita beleza, muita criatividade,
presença do Divino !
Jaiva Dharma (Josiane Fontana)

